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Ofensiva no STF ameaça indicação de Nunes Marques

Desgaste com caso Master e ação do CNJ no TRF-1 ampliam pressão sobre Nunes Marques e fortalecem ala de Gilmar Mendes e Dino.

Por Redação Ponto FixoPublicado 25/09/2026 às 04h02· 4 min de leitura
Ofensiva no STF ameaça indicação de Nunes Marques
Foto: Ton Molina

Uma intensa disputa de poder nos bastidores da cúpula do Judiciário brasileiro ganhou contornos ainda mais explícitos e inflamados nos últimos dias. A ofensiva direta contra o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), avançou em múltiplos flancos institucionais, somando vazamentos de dados atrelados às investigações do Banco Master e uma operação de busca contra o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), seu aliado histórico. O movimento coordenado atinge em cheio o xadrez pela indicação do novo integrante daquela corte regional, ameaçando enfraquecer o nome defendido pelo ministro e abrindo caminho para o avanço da ala encabeçada por Flávio Dino e Gilmar Mendes.

O tribunal em questão é a maior das seis cortes regionais federais do país, exercendo jurisdição estratégica sobre o Distrito Federal e outros 12 Estados. Por estar fincado no centro nevrálgico do poder em Brasília, o TRF-1 processa demandas cruciais de impacto bilionário que envolvem diretamente a União, estatais e autarquias públicas. A vaga aberta pela aposentadoria do desembargador Novély Vilanova gerou uma lista tríplice enviada ao Executivo em fevereiro: Fausto Mendanha liderou a votação interna com 31 votos, seguido por Itagiba Catta Preta, com 27, e pelo juiz auxiliar de Nunes Marques, Henrique Gouveia, que obteve 24 votos. Como Catta Preta é considerado carta fora do baralho no Planalto por ter barrado a posse de Lula na Casa Civil em março de 2016, a decisão final do presidente da República afunilou-se entre Gouveia e Mendanha, este último apadrinhado por Dino e Mendes.

Disputa de espaço no Judiciário

Essa contenda não surgiu no vácuo. Trata-se do desdobramento de uma sequência de vitórias que Nunes Marques acumulou recentemente na ocupação de cargos-chave do Judiciário. Em novembro de 2023, o ministro conseguiu emplacar João Carlos Mayer no TRF-1, superando o candidato defendido por Flávio Dino, Pablo Zuniga Dourado. Antes disso, Nunes Marques já havia articulado a ascensão de Carlos Brandão ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), também contrariando Dino, além de ter sido o principal fiador da chegada de Newton Ramos ao TRF-1 no mesmo ano de 2023. O avanço constante dessa influência em um tribunal no qual Nunes Marques construiu sua trajetória motivou queixas diretas levadas ao presidente Lula por outros integrantes do STF, decididos a frear a expansão do grupo adversário.

O caso envolvendo o Banco Master forneceu a munição decisiva para acirrar essa ofensiva política. Mensagens obtidas em aparelhos celulares do empresário Daniel Vorcaro apontaram supostos repasses de cerca de R$ 300 mil, entre agosto de 2024 e julho de 2025, feitos pela empresa Consult Inteligência ao filho do ministro, Kevin Marques — que nega qualquer prestação de serviços ou vínculo financeiro com a instituição bancária. O cerco se intensificou quando o corregedor nacional de Justiça, Benedito Gonçalves, determinou uma ação da Polícia Federal no gabinete de Newton Ramos, espelhando discos rígidos e apurando processos do setor sucroalcooleiro. A apuração foca honorários contratuais de familiares de Ramos que poderiam alcançar impressionantes R$ 427 milhões em causas ligadas ao banco.

Próximos passos e indefinições

Na prática, a correlação de forças coloca em lados opostos o grupo de Nunes Marques, que luta para manter espaço de decisão e autonomia técnica nas instâncias federais, e a ala liderada por Gilmar Mendes e Flávio Dino, que busca consolidar hegemonia sobre as indicações estratégicas junto ao Executivo. O que ainda não se sabe, contudo, é a extensão jurídica real das investigações conduzidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre o desembargador Ramos, nem se os vazamentos recentes produzirão medidas formais contra outros envolvidos no tribunal antes da deliberação do Palácio do Planalto.

O que está em jogo: A definição de Lula entre Henrique Gouveia e Fausto Mendanha para a vaga no TRF-1 mostrará se o Planalto cederá à pressão da ala de Gilmar Mendes e Flávio Dino ou se manterá a interlocução institucional com Nunes Marques, afetando o julgamento de grandes causas econômicas e da União no Distrito Federal e em 12 Estados.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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