Com a máquina pública na mão, Lula estagna perto dos 40% enquanto Flávio Bolsonaro cresce nas pesquisas para a eleição presidencial.

A reta final da corrida presidencial de 2026 expõe um limite evidente para a força do Palácio do Planalto. Mesmo contando com toda a máquina pública federal e a visibilidade constante do cargo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue travado no teto das intenções de voto. O agregador PollingData, que compila 149 pesquisas de 22 institutos diferentes em 235 cenários, registrou Lula com 40,3% em 25 de setembro — um patamar praticamente idêntico ao observado em 1º de junho, quando o petista pontuava 40,7%. Em contraste, o senador Flávio Bolsonaro disparou de 32,9% para 37,8% no mesmo intervalo, encurtando a distância entre ambos de 7,8 para escassos 2,5 pontos porcentuais a poucos dias da votação marcada para 4 de outubro.
Avanço da oposição e empates técnicos
A perda de fôlego do governismo fica ainda mais evidente na comparação do último mês. Em 1º de setembro, Lula marcava 38,4% contra 31,8% de Flávio no PollingData; desde então, o presidente recuperou apenas 1,9 ponto porcentual sem furar seu teto histórico, enquanto o adversário cresceu 6 pontos. Levantamentos individuais confirmam a tendência de virada: o instituto Futura/100% Cidades apontou Flávio numericamente à frente com 40,4% contra 38,4% de Lula na sondagem de 24 de setembro, configurando empate técnico na margem de 2,2 pontos. Na simulação de segundo turno realizada pelo PoderData/Aya, o senador conservador atinge 46% ante 45% do petista, dentro da margem de erro de 1,8 ponto.
Desgaste econômico e escândalos no Planalto
Essa estagnação de Lula reflete o peso do desgaste acumulado no exercício do poder e a frustração com o rumo econômico. Segundo a pesquisa BTG/Nexus de 31 de agosto, 53% dos brasileiros avaliavam a situação econômica do país como ruim ou péssima. A inflação que corrói o poder de compra no supermercado e o aumento do endividamento das famílias cobram a conta da promessa simbólica da “picanha”. Paralelamente, controvérsias que atingem o entorno do Executivo — como as apurações de desvios no INSS, o escândalo do Banco Master e os elevados gastos com viagens internacionais — alimentam a rejeição ao petista, cuja imagem segue atrelada às velhas engrenagens do sistema político.
Medidas eleitoreiras travadas no Congresso
Diante da erosão eleitoral, o Planalto tentou acelerar anúncios populistas de última hora, mas esbarrou no tempo e no Legislativo. Pautas de forte apelo social, como o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 e a PEC da Segurança Pública, continuam paralisadas no Congresso Nacional sem garantia de votação. Já o reajuste de 15,04% concedido ao Bolsa Família, divulgado em setembro, terá seu pagamento iniciado somente em 19 de outubro — data posterior ao primeiro turno —, o que neutraliza o impacto imediato da medida no bolso dos beneficiários antes da abertura das urnas.
Resta saber se a oposição manterá a curva de crescimento nos últimos dias de campanha ou se o voto útil em outras candidaturas conseguirá alterar o quadro para forçar a decisão logo na primeira etapa. Enquanto o eleitorado conservador e de centro se aglutina em torno de Flávio Bolsonaro, o governismo vê sua base tradicional insuficiente para garantir folga eleitoral.
O que está em jogo: a capacidade do governo federal de reverter a estagnação até 4 de outubro, quando mais de 150 milhões de eleitores vão às urnas para definir se Lula mantém a liderança no primeiro turno ou se Flávio Bolsonaro consolida a virada na reta final da apuração.
Com informacoes de revistaoeste.com.