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Membro da Secom apoia boato contra Flávio Bolsonaro

Coordenador da Secom compartilhou post que incentivava difusão de boato contra Flávio Bolsonaro. Ministro do TSE mandou apagar publicação.

Por Redação Ponto FixoPublicado 26/09/2026 às 01h02· 3 min de leitura
Membro da Secom apoia boato contra Flávio Bolsonaro
Foto: Unknown photographerUnknown photographer / Wikimedia

O coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, George Marques, envolveu-se em controvérsia institucional ao compartilhar uma mensagem que incitava explicitamente a propagação de desinformação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). A postagem difundia a alegação inverídica de que o parlamentar e sua legenda pretendiam revogar o título de padroeira do Brasil concedido a Nossa Senhora Aparecida, atingindo a fé do eleitorado católico.

O episódio ganha contornos mais graves pelo papel exercido por Marques no aparato estatal de comunicação do Palácio do Planalto. O texto original replicado, de autoria de Magdiel Alves, orientava expressamente os usuários a ignorar retratações e a continuar disseminando a alegação em regiões específicas: “Parem de divulgar retratação. Deixem o assunto rolar. Eles [conservadores] fizeram isso em outras eleições e quase nos ferram. Inclusive com ajuda de uma TV (Jovem Pan). Continuem compartilhando que nossa senhora foi atacada, precisa chegar no interior do Nordeste, no interior do Norte”. Horas após a repercussão, a publicação foi excluída.

Alcance massivo e decisão judicial

O impacto da narrativa distorcida atingiu proporções alarmantes no ambiente digital. Conforme relatório apresentado pela defesa de Flávio Bolsonaro à Justiça Eleitoral, foram contabilizadas 2 mil postagens originadas em 1,6 mil perfis diferentes. Em termos de escala, a onda desinformativa acumulou mais de 21 milhões de visualizações, somando aproximadamente 1,5 milhão de curtidas e ultrapassando a marca de 300 mil compartilhamentos, o que gerou forte comoção nas redes sociais.

Diante desse cenário, o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), classificou o conteúdo como “notoriamente inverídico” e ordenou a remoção imediata das publicações em plataformas como X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube. O senador negou veementemente a autoria de qualquer proposta contra o patronato de Nossa Senhora Aparecida, reafirmou seu respeito a todas as confissões religiosas e atribuiu a autoria da campanha enganosa ao PT.

Origem do projeto e lacunas administrativas

A manipulação política resgatou um episódio legislativo antigo e alheio à família Bolsonaro: o Projeto de Lei 2.623 de 2007, proposto pelo então deputado Professor Victório Galli (PMDB-MT). O texto da época sugeria alterar os termos da lei para restringir a condição de padroeira apenas aos fiéis católicos. No entanto, a proposição foi rejeitada formalmente pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados em 2008, ano em que acabou arquivada em definitivo pelo parlamento.

Questionado sobre o caso, George Marques declarou não se lembrar de ter compartilhado a mensagem e justificou que o ato ocorreu como um “erro involuntário” em meio a outras postagens em seu perfil, o qual descreve como pessoal. Contudo, resta em aberto se o Palácio do Planalto ou a chefia da Secom abrirão procedimentos internos para apurar a conduta de um ocupante de cargo comissionado na amplificação deliberada de boatos contra adversários políticos, além de eventuais desdobramentos em representações judiciais.

O que está em jogo: a apuração sobre a conduta ética de integrantes da Secom do governo federal e a fiscalização de práticas de difamação eleitoral pelo TSE, que já determinou a exclusão das mensagens das redes sociais e pode avaliar desdobramentos para os responsáveis pelas postagens que atingiram 21 milhões de visualizações.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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