Pesquisa Datafolha aponta empate técnico entre Ciro Gomes e Elmano de Freitas no Ceará, com disputa acirrada rumo ao segundo turno estadual.

A corrida eleitoral pelo governo do Ceará entrou em uma fase de polarização direta, apontando um cenário de indefinição técnica na reta decisiva da campanha. De acordo com os dados do instituto Datafolha divulgados nesta sexta-feira, 25, o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) e o atual chefe do Executivo cearense, Elmano de Freitas (PT), aparecem tecnicamente empatados na liderança. Ciro registra 44% das intenções de voto no primeiro turno, contra 43% de Elmano. O levantamento contratado pelo jornal O Povo, registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número CE-00198/2026, ouviu 1.204 eleitores entre 22 e 24 de setembro e possui margem de erro de três pontos porcentuais para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança.
Atrás dos líderes, a pulverização de votos entre as candidaturas alternativas é mínima, consolidando a disputa em dois blocos majoritários. Vera Lúcia (Novo) e Delegado Huggo (Missão) marcam 1% cada um. Outros nomes colocados no pleito, como Danilo Soares (Democrata), Ieri Braga (PCO), Zé Batista (PSTU) e Serley Leal, não pontuaram. Os eleitores que declaram voto em branco, nulo ou nenhum somam 6%, enquanto 5% permanecem indecisos. Essa distribuição evidencia um eleitorado altamente mobilizado em torno de projetos antagônicos, deixando pouca margem de manobra para legendas menores ampliarem espaço nas urnas cearenses.
A evolução dos números na campanha
O quadro estatístico atual reflete uma expressiva perda de vantagem do tucano e uma recuperação constante do atual governador ao longo do calendário eleitoral. Em 13 de agosto, no período pré-campanha oficial, Ciro sustentava 52% da preferência contra 33% de Elmano — uma folgada distância de 19 pontos porcentuais. Já em 3 de setembro, o placar recuou para 46% contra 37%, fechando em 47% a 40% no dia 18 de setembro. A redução gradativa culminou na diferença de apenas um ponto observada agora, traduzindo o peso do uso da máquina pública e da militância governista contra a força do recall político do ex-governador.
Nas simulações de segundo turno, o equilíbrio também dita o ritmo da disputa, com Ciro numericamente à frente somando 48% contra 46% de Elmano, em novo empate dentro da margem de erro. Os votos brancos e nulos alcançam 4%, e 2% não souberam responder. Curiosamente, na modalidade espontânea — quando não são apresentados nomes —, o governador petista assume uma liderança tênue com 34%, frente a 31% de Ciro, enquanto 25% continuam sem resposta. Em termos de rejeição, o incumbente lidera o índice negativo: 34% dos eleitores afirmam não votar de forma alguma em Elmano, ante 29% de recusa atribuídos a Ciro Gomes, seguidos por Zé Batista (18%), Delegado Huggo (17%), Danilo Soares (16%), Vera Lúcia (15%), Ieri Braga (12%) e Serley Leal (11%).
Indefinição também atinge o Senado
O reflexo das divisões locais reverbera diretamente na disputa pelas vagas ao Senado Federal, onde a pesquisa aponta um tríplice empate técnico. O senador Cid Gomes (PSB) lidera numericamente com 23%, seguido de perto por Capitão Wagner (União Brasil), com 20%, e Luizianne Lins (Rede), com 19%. Mais atrás aparecem Alcides Fernandes (PL), com 9%, e Catarina Matos (UP), com 2%, enquanto Lino Alves (PCO), Guilherme Teophilo (Novo) e Reginaldo Ferreira (PSTU) têm 1% cada. O contingente de brancos e nulos no Senado soma expressivos 13%, e 12% ainda estão indecisos, demonstrando que mais de um quarto dos eleitores ainda não fechou sua escolha legislativa.
O que está em jogo: A disputa entre Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT) define o controle orçamentário e a condução política do Ceará para os próximos quatro anos, afetando diretamente investimentos em infraestrutura e segurança pública no Estado. O avanço da campanha nos próximos dias mostrará se o desgaste de 34% de rejeição de Elmano impedirá a virada governista ou se a erosão da vantagem de Ciro — que caiu de 52% em agosto para 44% em setembro — decretará a consolidação do grupo petista no Palácio da Abolição.
Com informacoes de revistaoeste.com.