Senador Flávio Bolsonaro processa envolvidos após emissora veicular boato arquivado há 18 anos sobre Nossa Senhora Aparecida.

Em meio ao acirramento do debate eleitoral, o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), anunciou nesta sexta-feira, 25 de setembro de 2026, a abertura de medidas judiciais criminais e eleitorais contra a propagação de desinformação envolvendo símbolos sagrados da fé cristã no país. A reação jurídica decorre de comentários transmitidos em rede nacional que associavam o parlamentar a uma suposta articulação para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título oficial de Padroeira do Brasil.
O episódio ganhou tração após declarações da jornalista Maria Cristina Fernandes na GloboNews, sugerindo que uma parcela evangélica estaria mobilizando um projeto legislativo com esse objetivo e que o tema poderia impactar o eleitorado católico. Diante da repercussão imediata nas redes sociais, a própria emissora admitiu o equívoco publicamente e emitiu uma retratação, reconhecendo que a matéria legislativa mencionada não tinha qualquer vínculo com a atualidade ou com o senador: tratava-se, na realidade, do Projeto de Lei nº 2.623, apresentado em dezembro de 2007 pelo então deputado Professor Victório Galli (MDB) e arquivado pela Câmara dos Deputados em agosto de 2008, há mais de 18 anos.
Origem do projeto e distorção eleitoral
A recuperação descontextualizada de uma proposição sepultada há quase duas décadas serviu de combustível imediato para a exploração política por adversários. Integrantes da base governista e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva rapidamente usaram as redes para explorar temores de fiéis católicos. Figuras como o vice-presidente Geraldo Alckmin e a ex-ministra Simone Tebet publicaram manifestações de tom religioso, enquanto o deputado André Janones fez acusações diretas vinculando a candidatura da oposição ao fim do padroado nacional.
Para a campanha conservadora, a manobra representou uma tentativa deliberada de fragmentar o eleitorado cristão e minar o respeito à liberdade de culto e às tradições que unem a sociedade brasileira. Flávio Bolsonaro classificou a narrativa como uma armação coordenada, enfatizando que jamais apresentou qualquer proposta que atentasse contra os símbolos da fé católica e acusando a emissora de ter operado como centro difusor do boato, mesmo com o posterior pedido de desculpas.
Desdobramentos e apuração nos tribunais
O que resta em aberto neste momento é a extensão das medidas judiciais protocoladas, incluindo os prazos de resposta que a Justiça Eleitoral e as varas criminais fixarão para identificar a cadeia de compartilhamento digital e eventuais sanções aos responsáveis pela disseminação orquestrada. Não está esclarecido ainda se os perfis governistas que reproduziram o boato após a retratação formal do canal também serão alvo de pedidos de direito de resposta e remoção compulsória de conteúdo.
O que está em jogo: A ofensiva jurídica de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contra a GloboNews e perfis governistas como o de André Janones testará o rigor da Justiça Eleitoral no combate a distorções religiosas deliberadas. Nos próximos dias, cabe aos tribunais avaliar pedidos de liminar para remoção de vídeos e concessão de direito de resposta, enquanto o eleitorado conservador e católico observa a eficácia das medidas em barrar narrativas forjadas até o pleito de 2026.
Com informacoes de revistaoeste.com.