Proposta de delação aponta suposto repasse mensal de R$ 3 milhões a aliados do senador petista; PF e MP rejeitaram acordo por falta de provas.

Uma proposta de acordo de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, trouxe acusações de peso contra a cúpula política baiana. Vorcaro afirmou que mantinha o pagamento de uma propina mensal de R$ 3 milhões destinada a um grupo supostamente ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA). O arranjo financeiro, segundo o relato, envolvia uma estrutura mista de repasses: R$ 2 milhões eram transferidos formalmente sob a justificativa de um contrato com a empresa PKL One, enquanto R$ 1 milhão era entregue em espécie a aliados do parlamentar. Os repasses teriam ocorrido de forma contínua até a liquidação do Banco Master, decretada em 18 de novembro de 2025.
Esquema envolvia crédito a servidores
Para entender a origem do fluxo milionário, é preciso voltar a 2018, quando o Banco Master investiu R$ 30 milhões para adquirir participação na PKL One. A companhia assumiu a gestão do Credcesta — serviço de crédito consignado voltado a servidores públicos estaduais da Bahia — logo após a NGV Empreendimentos arrematar por R$ 15 milhões a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), estatal detentora original dos direitos dessa linha de empréstimo. Na perspectiva dos valores movimentados, a cifra mensal relatada de R$ 3 milhões totalizaria cerca de R$ 36 milhões ao ano, montante que supera com folga o próprio valor desembolsado na compra da estatal baiana que deu origem à concessão do negócio.
O documento elaborado pela defesa do banqueiro também detalhou a participação de intermediários na operação. Vorcaro apontou o empresário Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Guiga, como suposto operador de Wagner, indicando que ele manteve 22,45% de participação indireta na PKL One até o final de 2018, fatia posteriormente transferida a um fundo ligado a Antônio Carlos Freixo Júnior. Além disso, o relato citou o empresário João Carlos Falbo Mansur, do fundo Reag, sob a alegação de envolvimento em fraudes destinadas a gerar dinheiro vivo para a distribuição ilegal de recursos.
Citações a Rui Costa e rejeição de acordo
O material ainda fez menção, em cinco ocasiões, ao ex-governador da Bahia Rui Costa (PT-BA). Vorcaro destacou que, apenas 16 dias após o leilão da Ebal, Costa assinou dois decretos estaduais que ampliaram o escopo de atuação do Credcesta, tornando o produto financeiro consideravelmente mais vantajoso no mercado de consignados. No entanto, o relato admitiu não detalhar uma ligação direta e comprovada do ex-governador com o recebimento de valores ilícitos, mantendo como lacuna probatória a real extensão de sua atuação nos atos administrativos citados.
Apesar da gravidade das acusações formuladas pelo fundador do Master, tanto a Polícia Federal quanto o Ministério Público rejeitaram a proposta de delação premiada, sob a justificativa formal de que o depoente não forneceu elementos documentais ou materiais suficientes de corroboração. Em resposta, as defesas de Jaques Wagner e do empresário Augusto Lima repudiaram com veemência os relatos, destacando a total ausência de provas. Os advogados de Daniel Vorcaro afirmaram não reconhecer a autenticidade e a integridade dos documentos vazados.
O que está em jogo: A rejeição do acordo pela Polícia Federal e pelo Ministério Público transfere o foco para eventuais desdobramentos de investigações independentes sobre os contratos do Credcesta e a liquidação do Banco Master em novembro de 2025. Resta observar se novos elementos materiais serão apresentados para sustentar ou arquivar em definitivo as suspeitas sobre Jaques Wagner e os decretos assinados por Rui Costa na Bahia.
Com informacoes de revistaoeste.com.