Operação Compliance Zero revela que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria pago altos valores mensais a agentes da Polícia Federal por acesso indevido a dados internos e informações de investigações.

Documentos da Operação Compliance Zero, cujo sigilo foi retirado nesta terça-feira, 16, pelo ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF), revelam um complexo esquema de corrupção envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e agentes da Polícia Federal (PF). A PF aponta que Vorcaro teria efetuado pagamentos mensais de até R$ 400 mil, além de bônus, para obter informações sigilosas da corporação.
O esquema, conforme as investigações, visava garantir acesso indevido a dados internos e informações sensíveis de apurações em andamento. Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro, é apontado como o operador dos repasses ao agente aposentado Marilson Roseno da Silva, que, por sua vez, intermediava pagamentos via Pix, presentes e um “bônus de fim de ano” — descrito como “oferenda” — para recrutar servidores da ativa da PF.
Entre os cooptados por Roseno, estariam o agente Anderson Wander da Silva e a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva. A investigação também menciona os policiais federais aposentados Sebastião Monteiro Júnior e Francisco Pereira da Silva, além de um agente da ativa ainda não identificado. Essa rede permitia acesso a sistemas internos da PF, como o e-Pol, que registra inquéritos, possibilitando a antecipação de informações cruciais sobre operações em andamento.
Um dos episódios investigados aponta que o grupo obteve um mandado de prisão contra o próprio Daniel Vorcaro e repassou o conteúdo a um site jornalístico. A PF acredita que o objetivo era antecipar a informação e utilizá-la na estratégia de defesa. Os pagamentos, disfarçados como prestação de serviços, teriam sido realizados por meio da empresa Roseno & Ribeiro Gestão Empresarial Ltda. Parte dos valores teria transitado pela King Participações, ligada a Luiz Phillipi Mourão, funcionário de Vorcaro, e os repasses a Mourão teriam sido feitos pelo empresário Fabiano Zettel, cunhado do ex-controlador do Banco Master.
O que está em jogo: A Operação Compliance Zero expõe a fragilidade da segurança da informação dentro de órgãos de fiscalização, levantando questões sobre a integridade de investigações federais e a necessidade de fortalecer mecanismos de controle interno e combate à corrupção.
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