Ex-deputado afirma que governo de Flávio Bolsonaro fará cobrança a diplomatas e defende abertura de embaixadas a nomes do setor privado.

Em manifestação veiculada nas redes sociais, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou que uma eventual vitória de seu irmão mais velho, Flávio Bolsonaro, na disputa pela Presidência da República resultará em uma ampla reestruturação no Ministério das Relações Exteriores. O ex-parlamentar afirmou ter mapeado a movimentação de diplomatas que assumiram ou deixaram postos estratégicos durante a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva e garantiu que haverá uma cobrança direta sobre servidores que teriam atuado para desestabilizar a política externa implementada no governo de Jair Bolsonaro.
A reação de Eduardo foi motivada pela divulgação de um áudio atribuído a um diplomata brasileiro, no qual é citada a oferta de suporte da Embaixada do Brasil em Madri para orientar a escolha de escolas destinadas aos filhos de Fábio Luís Lula da Silva, que reside na Espanha desde 2025. O ex-deputado criticou o uso da estrutura estatal para atender a interesses de familiares do chefe do Executivo e comparou o caso à sua própria situação ao se transferir para os Estados Unidos, quando não solicitou nem recebeu qualquer tipo de assistência da diplomacia brasileira.
Revisão estrutural e perfil diplomático
Ao classificar as possíveis mudanças como um processo de saneamento do órgão, Eduardo Bolsonaro defendeu que o Brasil adote uma abordagem pragmática na diplomacia, argumentando que a chefia de postos no exterior não precisa ser restrita exclusivamente a membros da carreira diplomática. Segundo ele, diversas embaixadas poderiam ser ocupadas por representantes do setor privado com foco em atração de investimentos, ampliação do comércio internacional e defesa da soberania nacional, superando o aparelhamento ideológico e o corporativismo que muitas vezes engessam o serviço público.
O posicionamento estabelece uma clara divisão no corpo funcional: diplomatas que mantiveram postura técnica e não participaram de articulações contra a gestão conservadora anterior permaneceriam nos quadros, enquanto aqueles identificados em ações de sabotagem enfrentariam escrutínio rigoroso. De um lado, ganham espaço quadros técnicos e defensores do livre comércio dispostos a alinhar a representação externa ao interesse público; de outro, diplomatas alinhados à atual gestão perdem a estabilidade de postos de prestígio no exterior.
Histórico recente e cenário futuro
A ofensiva do ex-deputado ocorre em um contexto de longo enfrentamento institucional. Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos desde março de 2025, período em que deixou o território nacional para articular apoios internacionais e evitar restrições judiciais. O ex-parlamentar teve seu mandato cassado pela Câmara dos Deputados em dezembro de 2025 devido a faltas regimentais, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal em junho de 2026 a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo e, em setembro do mesmo ano, teve sua demissão do cargo de escrivão da Polícia Federal oficializada pelo Ministério da Justiça por abandono funcional.
Apesar da retórica contundente, o que ainda não se sabe é qual instrumento legal ou regimento interno uma eventual presidência de Flávio Bolsonaro utilizaria para substituir servidores efetivos sem incorrer em novas disputas judiciais perante os tribunais superiores. A legislação atual estabelece regras rígidas para a remoção e aposentadoria de servidores de carreira, o que exigirá articulação política e respaldo jurídico consolidado caso o plano venha a ser submetido à apreciação do Senado Federal, responsável por sabatinar chefes de missão diplomática.
O que está em jogo: a definição das regras de ocupação das embaixadas brasileiras e o controle da política externa, cujo direcionamento dependerá da viabilidade eleitoral de Flávio Bolsonaro e da capacidade do Congresso Nacional em aprovar eventuais alterações na Lei do Serviço Exterior para permitir indicações extraquadro.
Com informacoes de revistaoeste.com.