Versões divergentes e registros em vídeo colocam em xeque narrativa de intimidação policial contra equipe de campanha de Fernando Haddad.

A narrativa construída em torno de uma suposta ação intimidadora da Polícia Militar contra a campanha de Fernando Haddad (PT), candidato ao governo do Estado de São Paulo, sofreu forte abalo após a apresentação de versões conflitantes. Em depoimento prestado à Polícia Civil na segunda-feira 17, o motorista do candidato, Alessandro Caseri, alterou pontos centrais de seu relato inicial a respeito do episódio registrado na noite de terça-feira 11, trazendo à tona inconsistências entre o que foi alegado publicamente e os registros materiais da ocorrência.
O caso ganhou notoriedade quando Haddad relatou à imprensa que, após retornar de uma aula magna na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), seu veículo teria sido iluminado com luzes fortes por uma viatura da PM ao chegar à sua residência. Segundo a narrativa inicial sustentada pelo candidato e por seus aliados, os agentes portavam fuzis e teriam seguido o automóvel após o desembarque de Haddad, promovendo um acompanhamento ostensivo que, segundo o advogado Hélio Silveira, teria durado cerca de 40 minutos.
Contudo, a versão que apontava que o condutor havia descido do automóvel e confrontado verbalmente os agentes de segurança foi desmentida perante as autoridades policiais na 2ª Delegacia Seccional da zona sul de São Paulo. Embora mensagens trocadas via WhatsApp e divulgadas pelo portal Metrópoles mostrassem a intenção de interpelar a guarnição, imagens oficiais divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) na sexta-feira 14 não registraram o funcionário deixando o veículo em nenhum instante, forçando o motorista a admitir, formalmente com a presença de sua defesa, que permaneceu no interior do carro.
Integrantes da campanha petista tentaram justificar o descompasso informando que o condutor hesitou no momento em que digitou que iria questionar a guarnição. Apesar disso, o motorista ainda sustentou em sua oitiva a alegação de que três policiais desceram da viatura para intimidá-lo antes que ele estacionasse em frente a um hotel. As gravações disponibilizadas pelas forças de segurança cobrem a movimentação até o automóvel, mas não registram o suposto contato direto alegado, contrastando diretamente com as informações prestadas pelo governo estadual.
O que esta em jogo: episódios que envolvem acusações de perseguição estatal ou uso político de forças de segurança pública durante o período eleitoral exigem rigor absoluto na apuração e fidelidade aos fatos. O descompasso entre relatos dramáticos e as provas materiais ressalta a importância de cautela institucional para evitar que narrativas precipitadas sejam utilizadas para desgastar corporações policiais ou influenciar indevidamente o debate público e a confiança nas instituições de segurança.
Com informacoes de revistaoeste.com.