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PF não encontra provas de crime contra jornalista que revelou uso de carros oficiais por família de Flávio Dino

Relatório da Polícia Federal enviado ao STF conclui que não há comprovação de que repórter recebeu valores para atacar ministro da Suprema Corte.

Por Redação Ponto FixoPublicado 19/08/2026 às 17h02· 3 min de leitura
PF não encontra provas de crime contra jornalista que revelou uso de carros oficiais por família de Flávio Dino
Foto: Reprodução

Um relatório conclusivo da Polícia Federal (PF), encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou a ausência de elementos probatórios que sustentem a acusação contra o jornalista maranhense Luís Pablo. O profissional de imprensa havia se tornado alvo de mandados judiciais sob a suspeita de ter recebido R$ 100 mil para veicular reportagens contrárias ao ministro Flávio Dino, também integrante da Suprema Corte. A apuração policial analisou os materiais recolhidos na residência do comunicador e atestou que não é possível estabelecer vínculo entre o montante e as matérias veiculadas.

O caso teve início após Luís Pablo divulgar investigações jornalísticas que expunham o uso de veículos oficiais pertencentes ao Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de Flávio Dino. Na publicação, o jornalista anexou registros fotográficos e detalhou trajetos e deslocamentos dos automóveis públicos. Em decorrência dessa cobertura sobre o uso da máquina pública estadual, uma operação de busca e apreensão foi determinada por Moraes em março, cumprida em São Luís, na qual computadores, celulares e um HD externo do jornalista foram confiscados pelas autoridades.

Na fundamentação inicial das medidas cautelares, cogitou-se que o jornalista estaria praticando perseguição contra Flávio Dino, além de levantar suspeitas sobre a suposta obtenção irregular de dados sigilosos e de segurança relacionados ao magistrado e a seus parentes. Durante todo o processo, Luís Pablo rejeitou integralmente a tese de pagamentos ilegais, esclarecendo que a quantia de R$ 100 mil mencionada no inquérito tratou-se de um empréstimo pessoal legítimo, utilizado especificamente para a quitação de um imóvel residencial.

O relatório dos peritos federais destacou que, embora identifique uma postura crítica e linha editorial definida nas publicações do comunicador, inexistem evidências que comprovem o financiamento de reportagens para desgastar Dino. O inquérito mencionou ainda o envolvimento do advogado Diogo Diniz Lima e do ex-secretário estadual Raimundo Cutrim, indicado como uma das fontes de informação do repórter. As ações persecutórias contra Luís Pablo, que ficou privado de seus instrumentos profissionais de trabalho por 70 dias até a devolução autorizada por Moraes em abril, chegaram a gerar notas de repúdio e alertas de entidades do setor, como a Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner).

O que esta em jogo: A conclusão das investigações sem respaldo para as acusações evidencia as constantes tensões entre a atuação fiscalizatória da imprensa independente e o uso de instrumentos judiciais excepcionais contra comunicadores. Quando o escrutínio sobre o uso de recursos públicos por autoridades e seus familiares é tratado sob a ótica da ameaça à segurança, coloca-se em risco a liberdade de expressão e as garantias constitucionais do livre exercício do jornalismo, pilares indispensáveis para a transparência republicana e o controle do poder estatal.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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