Leonardo Avalanche declarou R$ 495 milhões ao TSE, montante concentrado em ativos digitais e que supera em 847 vezes seus bens informados em 2018.

A prestação de contas dos candidatos perante a Justiça Eleitoral segue como um dos pilares de transparência no processo democrático brasileiro. Na composição de chapas para a disputa presidencial, o presidente nacional do PRTB, Leonardo Avalanche, que concorre como vice na candidatura encabeçada por Pablo Marçal, declarou possuir um patrimônio expressivo de R$ 495 milhões. O montante chama atenção pela composição quase exclusiva de ativos digitais.
De acordo com os dados encaminhados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), R$ 491 milhões — o que representa cerca de 99% do total informado — estão alocados em criptomoedas. A cifra atual expõe um salto financeiro expressivo em relação à última disputa eleitoral de Avalanche: em 2018, ao concorrer a uma vaga de deputado federal pelo Estado de Goiás, ele havia declarado bens no valor de R$ 379,8 mil (equivalentes a cerca de R$ 584 mil em termos corrigidos). O valor apresentado agora representa um crescimento de 847 vezes sobre aquele montante.
Natural de Anápolis (GO), Avalanche assumiu a presidência do PRTB em 2024, período em que a legenda alcançou visibilidade política nacional ao lançar Pablo Marçal na disputa pela Prefeitura de São Paulo. A trajetória partidária também enfrentou controvérsias públicas durante aquele pleito municipal, quando gravações veiculadas pela imprensa atribuíram a Avalanche declarações sobre supostos vínculos com membros de facção criminosa e influência institucional — alegações que foram expressamente rechaçadas pelo dirigente partidário, que negou qualquer ligação ilícita.
A própria chapa do PRTB tem passado por retificações formais junto à Justiça Eleitoral. Pablo Marçal corrigiu nesta segunda-feira, 17, sua declaração patrimonial inicial, reduzindo o valor registrado de R$ 7 bilhões para R$ 149,9 milhões. A defesa justificou a disparidade anterior como “equívocos meramente materiais, de digitação”. Na campanha de 2024, Marçal havia informado R$ 169,5 milhões. Contudo, a postulação ao Planalto permanece sob escrutínio jurídico rigoroso, uma vez que o empresário está inelegível até 2032 após sucessivas condenações na esfera eleitoral decorrentes de sua atuação na disputa paulistana, acumulando a terceira condenação em 2025.
O que esta em jogo: A composição patrimonial predominantemente lastreada em criptoativos e as pendências jurídicas dos integrantes do PRTB ilustram os novos desafios enfrentados pelos órgãos de controle no Brasil. A fiscalização de bens digitais exige mecanismos modernos de verificação de liquidez e origem, ao mesmo tempo em que o registro de candidaturas sob condições de inelegibilidade sublinha a necessidade de estabilidade institucional e respeito rigoroso aos critérios de elegibilidade previstos na legislação nacional.
Com informacoes de revistaoeste.com.