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TCU derruba liminar e libera contrato bilionário no Porto de Santos sob protestos da oposição

Plenário do TCU revoga medida cautelar de Augusto Nardes que suspendia licitação bilionária no Porto de Santos envolvendo consórcio com familiares de ministro.

Por Redação Ponto FixoPublicado 19/08/2026 às 19h02· 3 min de leitura
TCU derruba liminar e libera contrato bilionário no Porto de Santos sob protestos da oposição
Foto: JorgeRioBRAZIL / Jorge Andrade / Wikimedia

O plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) tomou uma decisão que gerou forte reação entre parlamentares da oposição nesta quarta-feira, 19. O colegiado derrubou a medida cautelar concedida anteriormente pelo ministro Augusto Nardes, restabelecendo o andamento da licitação referente a uma área estratégica de 242 mil metros quadrados no Porto de Santos. O contrato em questão, vencido pelo Consórcio Portolog, envolve cifras expressivas que superam R$ 1 bilhão e prevê uma duração de 20 anos para a exploração do espaço portuário.

A controvérsia em torno do certame ganhou contornos mais críticos devido a questionamentos sobre a legalidade dos procedimentos e potenciais conflitos de interesse. A representação que culminou na intervenção inicial da Corte foi protocolada pelo partido Novo em conjunto com outros parlamentares oposicionistas. Um dos pontos mais sensíveis da denúncia envolve o ministro Bruno Dantas, cujos familiares integram a composição societária do consórcio declarado vencedor da disputa licitatória. Em decorrência dessa ligação, o ministro se declarou formalmente impedido de participar das deliberações do caso.

Ao conceder a liminar em 12 de agosto, o relator Augusto Nardes havia ordenado que a Autoridade Portuária de Santos paralisasse todos os atos administrativos decorrentes do edital. Entre os apontamentos de irregularidades levantados pela oposição e considerados pelo relator estavam a classificação jurídica da área como ‘não afeta às operações portuárias’, a celeridade e o rito escolhidos para o processo de contratação, prazos exíguos para o envio de propostas concorrentes e as relações societárias da empresa vencedora com a família de Dantas.

A condução da sessão plenária que revogou a cautelar foi alvo de duras queixas por parte de congressistas. A deputada federal Adriana Ventura (Novo-SP) criticou publicamente o presidente da Corte de Contas, Vital do Rêgo, por ter pautado o julgamento justamente em uma data em que o relator, Augusto Nardes, encontrava-se afastado de Brasília por motivo de licença médica. Na votação, os ministros Walton Alencar Rodrigues, Benjamin Zymler, Odair Cunha, Jhonatan de Jesus, Antonio Anastasia, Jorge Oliveira e Vital do Rêgo formaram ampla maioria para anular a suspensão, restando apenas Nardes com voto favorável à manutenção da cautelar.

A deputada repudiou as manobras regimentais observadas durante o dia, apontando que o item foi inserido e retirado da pauta repetidas vezes antes da deliberação final. Para a parlamentar, o procedimento revelou um atropelo às normas internas e ao princípio da colegialidade, configurando um processo conduzido de maneira precipitada para alcançar um desfecho pré-determinado. Apesar da queda da cautelar, o Tribunal ainda deverá julgar o mérito das possíveis irregularidades denunciadas no processo licitatório.

O que esta em jogo: A transparência e a higidez concorrencial em concessões de infraestrutura nacional são pilares indispensáveis para a segurança jurídica e a atração de investimentos privados no país. O Porto de Santos é o principal ativo logístico do comércio exterior brasileiro, e qualquer suspeita de direcionamento, favorecimento ou atropelo de ritos nos órgãos de controle abala a confiança do mercado, enfraquece a credibilidade institucional e exige fiscalização rigorosa por parte da sociedade e dos poderes constituídos.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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