Em entrevista, Ronaldo Caiado chamou o Brasil de 'Disneylândia do narcotráfico', defendeu pacificação política e apresentou plano de teto de gastos a 50% do PIB.

O avanço desenfreado do crime organizado e a fragilidade das fronteiras nacionais voltaram ao centro do debate político. Durante entrevista concedida à TV Globo nesta terça-feira, 25, o candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, fez duras críticas à atual situação da segurança pública nacional e foi enfático ao declarar: “O Brasil é a Disneylândia do narcotráfico”. Para enfrentar a atuação das facções, o líder político propôs a criação de uma força policial integrada reunindo o Brasil e outros dez países da América do Sul com foco direto no combate ao tráfico de entorpecentes, contrabando de armas e esquemas de lavagem de dinheiro.
O modelo apresentado por Caiado estabelece que os agentes de segurança dos países signatários possam cruzar fronteiras territoriais no curso de operações conjuntas contra o crime organizado transnacional. De acordo com o candidato, “não precisa ter limite, você vai passar para os outros países e eles também terão toda a liberdade de adentrar o Brasil”, reforçando expressamente que a medida não comprometeria a soberania das nações envolvidas. A estrutura planejada prevê dotação orçamentária própria, operação contínua e vinculação a uma central de inteligência, com parte do custeio financiada diretamente por recursos e bens confiscados das quadrilhas.
Apesar de defender a cooperação internacional e o intercâmbio tecnológico com outras nações para aprimorar o setor de inteligência, Caiado foi categórico ao descartar a presença de forças militares dos Estados Unidos no território nacional dentro dessa iniciativa integrada. Questionado sobre a eventual participação das tropas norte-americanas, o postulante ao Planalto rejeitou a ideia ao indagar: “Não tenho por que autorizá-los, pra quê?”. O foco, segundo ele, deve permanecer na coordenação direta entre os países sul-americanos que compartilham as rotas e fronteiras do tráfico.
Além da agenda de segurança, o candidato tocou em temas cruciais para a estabilidade institucional e a responsabilidade fiscal do país. Caiado reafirmou o compromisso de remeter ao Congresso Nacional uma proposta de anistia “ampla, geral e irrestrita” voltada aos condenados pelos eventos de 8 de janeiro de 2023. “Temos que pacificar o país, ninguém aguenta mais essa situação”, declarou, comparando a iniciativa às anistias históricas promovidas no mandato do ex-presidente Juscelino Kubitschek e ressaltando que caberá ao Legislativo dar a palavra final sobre a medida pacificadora.
No campo econômico, a diretriz defendida por Caiado aposta no rigor fiscal e na limitação do tamanho do Estado como caminho para a prosperidade e a previsibilidade financeira. O plano prevê o envio de uma proposta de emenda à Constituição para instituir um teto de despesas federais corrigido pela inflação e limitado a 50% do Produto Interno Bruto (PIB). Sob essa premissa de austeridade, o candidato estimou que o equilíbrio das contas públicas pavimentará o caminho para conduzir a taxa básica de juros ao patamar de 6% e a inflação a 3%, assegurando que a meta é viável: “Isso não é milagre”.
O que esta em jogo: A segurança das famílias e o domínio da lei nas fronteiras brasileiras tornaram-se prioridades inadiáveis diante do fortalecimento do crime transcontinental, que corrompe estruturas sociais e encarece a logística nacional. Ao mesmo tempo, o país busca saídas para a polarização jurídica e política por meio de medidas de pacificação institucional, enquanto o controle rígido das contas públicas se consolida como requisito indispensável para assegurar estabilidade da moeda, geração de empregos e atração de investimentos fundamentados no livre mercado.
Com informacoes de revistaoeste.com.