Em evento com magistrados evangélicos, o ministro André Mendonça enfatizou que a magistratura deve focar no serviço público e na retidão ética, e não na busca por enriquecimento.

Em um momento no qual as discussões sobre os custos do aparelho estatal e a integridade das instituições ganham destaque na sociedade brasileira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça fez uma contundente reflexão sobre a vocação da magistratura. Durante discurso proferido no encerramento do 5º Seminário Nacional da Associação Nacional de Magistrados Evangélicos (Anamel), no Instituto Presbiteriano Mackenzie, em São Paulo, o magistrado afirmou de forma categórica que um juiz não deve ter como propósito de vida enriquecer por meio do cargo público.
Ao se dirigir a uma plateia composta por colegas de toga, Mendonça destacou que a magistratura confere uma remuneração digna e compatível com a alta responsabilidade da função, mas advertiu que isso não torna o indivíduo imune a dilemas financeiros, nem deve transformar a busca pelo ganho material em objetivo de carreira. Sob essa perspectiva, o ministro pontuou que os juízes precisam manter a moderação em seus gastos pessoais, cultivando uma postura sóbria e responsável condizente com a autoridade que exercem perante os cidadãos.
O ministro enfatizou ainda que magistrados não deveriam ‘colocar o coração no poder ou no dinheiro’, fundamentando sua fala em preceitos éticos e valores morais debatidos durante o encontro cristão. Segundo a linha defendida por Mendonça, a função pública na administração da Justiça precisa ser encarada essencialmente como um ato de servir ao próximo e à pátria, preservando o desprendimento necessário para assegurar a retidão e a imparcialidade em todas as decisões.
As declarações tocam diretamente em um debate persistente no cenário jurídico e econômico brasileiro: o respeito ao teto remuneratório constitucional. Embora a Carta Magna determine que os subsídios dos ministros do STF correspondam ao limite máximo de remuneração para o funcionalismo público, a concessão recorrente de penduricalhos e verbas classificadas como indenizatórias muitas vezes eleva os vencimentos de integrantes de tribunais acima desse patamar, gerando discussões constantes sobre responsabilidade fiscal e moralidade administrativa.
André Mendonça integra a Suprema Corte desde 2021, após ter sido indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro. Antes de alcançar a mais alta instância do Judiciário nacional, construiu sua carreira jurídica na advocacia pública, exercendo os cargos de advogado-geral da União e de ministro da Justiça e Segurança Pública, trajetórias que o colocaram frequentemente no centro dos grandes debates sobre o papel institucional do Estado e a governança pública.
O que esta em jogo: A postura defendida por André Mendonça resgata o debate fundamental sobre a moralidade pública e a austeridade no Judiciário, elementos indispensáveis para a preservação da confiança popular nas instituições. Quando membros de cortes superiores relembram que a função pública exige desprendimento, espírito de serviço e compromisso com o cidadão pagador de impostos, reforça-se a necessidade de alinhar os poderes da República aos anseios de retidão, responsabilidade orçamentária e respeito aos limites da lei.
Com informacoes de revistaoeste.com.