Levantamento aponta Eduardo Paes na liderança da corrida ao Palácio Guanabara, enquanto rejeição a padrinhos políticos e desejo de renovação marcam o cenário fluminense.

O cenário eleitoral para o governo do Estado do Rio de Janeiro começa a desenhar suas primeiras forças com a divulgação do mais recente levantamento do instituto Quaest. O ex-prefeito da capital Eduardo Paes (PSD) desponta na liderança da corrida ao Palácio Guanabara, registrando 37% das intenções de voto no cenário estimulado. Ele mantém uma folga de 23 pontos porcentuais em relação ao segundo colocado, o deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL), que aparece com 14%. O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) figura na terceira colocação com 7%, seguido por William Siri (PSOL), que obteve 3%. Nomes como Coronel Busnello (Missão), Cyro Garcia (PSTU) e Juliete (UP) somam 1% cada, enquanto Luan Monteiro (PCO) e André Marinho (Novo) não pontuaram. O contingente de eleitores indecisos alcança 20%, e outros 16% pretendem anular, votar em branco ou se abster.
A abrangência da vantagem de Paes se reflete na liderança em 20 dos 21 segmentos demográficos e sociopolíticos analisados pela pesquisa, englobando recortes de sexo, idade, faixa de renda, escolaridade e credo religioso. A única exceção ocorre no eleitorado explicitamente alinhado ao bolsonarismo, segmento em que Douglas Ruas assume a dianteira com 29% das preferências, contra 22% do ex-prefeito. Quando analisada a modalidade espontânea — termômetro relevante para mensurar a consolidação real dos nomes sem estímulo visual —, 69% dos fluminenses ainda não sabem em quem votar, enquanto Paes é lembrado por 16% e Ruas por 7%. Nas projeções de segundo turno, o candidato do PSD preserva larga vantagem: superaria Ruas por 50% a 20% e venceria Garotinho por 53% a 12%. No quadro geral, 58% dos entrevistados afirmam que a decisão atual é definitiva, enquanto 42% admitem a possibilidade de alterar o voto até o pleito marcado para 4 de outubro.
Para além das preferências individuais, o levantamento revela o esgotamento da população com os rumos administrativos do estado: uma expressiva maioria de 54% dos cidadãos defende uma mudança total no governo fluminense, ao passo que 32% apoiam ajustes pontuais e apenas 11% desejam a continuidade pura e simples da gestão atual. No campo das articulações políticas, o eleitor do Rio tem demonstrado ceticismo em relação a apadrinhamentos externos. A maior parcela, correspondente a 38%, prefere um chefe do Executivo de postura independente. Já 32% manifestam preferência por um aliado de Flávio Bolsonaro, e 25% optam por um alinhamento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A influência das lideranças nacionais mostra forte índice de repulsa: o endosso de Lula reduz a disposição de voto para 35% do eleitorado fluminense (aumentando para 17%), ao passo que o apoio de Flávio Bolsonaro diminui as chances para 29% e eleva para 27%.
No índice de rejeição, Anthony Garotinho enfrenta a maior barreira entre os concorrentes: 68% dos entrevistados declaram que o conhecem, mas não votariam nele de forma alguma. Eduardo Paes surge na sequência com 41% de rejeição e 52% de eleitores potenciais que afirmam conhecê-lo e votar nele, enquanto Cyro Garcia atinge 40% de desaprovação. Douglas Ruas, por sua vez, carrega uma rejeição de 21%, mas lida com o desafio do desconhecimento público, já que 59% da população afirma não conhecê-lo. Paralelamente, na corrida pelas duas cadeiras do Rio de Janeiro no Senado Federal, a deputada Benedita da Silva (PT) lidera a sondagem estimulada total com 10%, seguida por Carlos Jordy (PL) com 7%, Marcelo Crivella (Republicanos) com 6%, e Monica Benicio (PSOL) e Carlos Portinho (PL) com 5% cada. Pedro Paulo (PSD) marca 3% e Waguinho (Republicanos) 2%, com uma expressiva taxa de 88% de indecisos na consulta espontânea.
O que esta em jogo: A disputa pelo governo do Rio de Janeiro representa um termômetro vital para a reorganização das forças políticas locais e nacionais. Historicamente marcado por severas crises fiscais, problemas crônicos de segurança pública e escândalos de corrupção que atingiram sucessivos ex-governadores, o estado agora busca equilíbrio entre a eficiência gerencial de centro e as fortes correntes ideológicas que dividem o país. A baixa capacidade de transferência de votos de figuras centrais da esquerda e a exigência de 54% por renovação integral colocam em evidência o desgaste das velhas fórmulas políticas, exigindo dos postulantes compromisso com a responsabilidade fiscal, fortalecimento das instituições e soluções reais para os gargalos econômicos e sociais da população fluminense.
Com informacoes de revistaoeste.com.