A OAB acionou o STF pedindo a preservação do sigilo profissional após vazamentos de diálogos de Daniel Vorcaro na Operação Compliance Zero.

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) formalizou nesta quarta-feira, 23, um pedido direto ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, cobrando medidas rígidas para resguardar as prerrogativas da advocacia e o sigilo de comunicações profissionais. A solicitação ocorre em meio aos desdobramentos da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que investiga supostas irregularidades financeiras ligadas ao Banco Master e a seu fundador, Daniel Vorcaro.
A ofensiva jurídica da OAB foi motivada pela exposição pública de diálogos mantidos entre o empresário e seus defensores. Entre os registros apreendidos, destaca-se uma troca de mensagens datada de 22 de janeiro de 2025, na qual o advogado Walfrido Warde — que atuou na defesa de Vorcaro até janeiro de 2026 — relatou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria enviado um abraço e agradecido pelo envio de uma garrafa de whisky. À época do contato, a instituição financeira ainda não era formalmente investigada. O Palácio do Planalto, por sua vez, negou categoricamente que o chefe do Executivo tenha recebido presentes ou transmitido recados ao ex-banqueiro.
Vazamentos e a defesa das prerrogativas
No documento assinado pelo presidente da entidade, José Alberto Simonetti, e demais diretores, a OAB argumenta que a operação policial extrapolou os limites legais ao expor estratégias de defesa, contratos de prestação de serviços jurídicos e comunicações estritamente confidenciais. A entidade fez questão de pontuar que não busca criar blindagens indevidas nem paralisar as apurações contra eventuais condutas criminosas — inclusive se estas envolverem operadores do direito —, mas defende que a obtenção de provas em inquéritos não confere autorização tácita para a divulgação indiscriminada de dados de clientes e advogados.
O pleito central encaminhado ao STF exige que a Justiça determine a imediata separação física e digital entre o material que realmente possui pertinência com a apuração da Compliance Zero e aqueles arquivos protegidos pela inviolabilidade profissional. “Uma coisa é acesso ao material, nos limites e para finalidades autorizadas judicialmente; outra substancialmente distinta é a sua utilização ou divulgação para além daquilo que se revele pertinente à apuração”, sublinhou a direção da entidade na manifestação a Fachin.
Próximos passos e lacunas na apuração
O embate evidencia uma disputa clara de forças: de um lado, a advocacia tenta frear excessos e garantir o devido processo legal; de outro, os investigadores buscam rastrear as conexões políticas e financeiras do grupo investigado. O próximo passo recai sobre a presidência do STF, que terá de decidir se impõe filtros mais rígidos sobre as apreensões da Polícia Federal. Contudo, ainda resta saber como os materiais vazados chegaram ao conhecimento público, qual será a extensão das apurações sobre a cúpula do Banco Master e se haverá sanções a agentes públicos caso se comprove o vazamento deliberado de conteúdos sigilosos.
O que está em jogo: A decisão de Edson Fachin definirá como a Polícia Federal e o Judiciário devem tratar comunicações confidenciais apreendidas em grandes operações financeiras. Na prática, o veredito pode anular provas ou restringir o uso de mensagens no processo contra Daniel Vorcaro, restando observar se o STF determinará a abertura de apuração interna para identificar os responsáveis pelo vazamento de diálogos que citam o Palácio do Planalto.
Com informacoes de revistaoeste.com.