O ministro Rogério Schietti Cruz negou liminar da defesa e manteve a prisão de Milton Leite em operação que apura infiltração do PCC em SP.

O ministro Rogério Schietti Cruz, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou o pedido de liminar apresentado pela defesa do ex-vereador paulistano Milton Leite (União Brasil), mantendo sua custódia temporária. A decisão representa um revés expressivo para a defesa do político, que tentava reverter a ordem de detenção expedida no âmbito da Operação Vectura Corrupta, investigação que apura a penetração do crime organizado na estrutura de transportes públicos da maior metrópole do país.
A ofensiva judicial e policial apura a suspeita de que a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) tenha se infiltrado profundamente no sistema de transporte coletivo de São Paulo. Segundo as apurações dos investigadores, o ex-parlamentar atuaria como o proprietário de fato da Transwolff, empresa concessionária que operava linhas de ônibus estratégicas na capital. Milton Leite nega veementemente as acusações, sustentando sua inocência e rechaçando qualquer ligação com a facção criminosa.
Operação mira elos com facção criminosa
O caso se desenrolou a partir da última sexta-feira (18), quando o político se entregou às autoridades na cidade de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. A defesa acionou o STJ na segunda-feira subsequente (21), alegando ausência de fundamentos e insuficiência de elementos materiais para justificar a restrição cautelar de liberdade. Contudo, o relator no tribunal superior entendeu que não havia premissas para a concessão de tutela de urgência neste momento.
Em termos de amplitude, a Operação Vectura Corrupta mobilizou ordens judiciais expressivas: foram expedidos 16 mandados de prisão e executadas buscas e apreensões em 18 endereços espalhados por sete municípios paulistas. O escopo das investigações não se limita às empresas de transporte, avançando sobre um esquema abrangente que envolve suspeitas de corrupção ativa e passiva de servidores públicos, além do direcionamento de recursos ilícitos do narcotráfico para o financiamento de campanhas eleitorais.
Recursos processuais e lacunas na apuração
Do ponto de vista processual, quem perde momentaneamente é o grupo político do ex-vereador, que segue com sua principal liderança encarcerada, enquanto os órgãos de persecução penal ganham tempo para consolidar a análise dos materiais recolhidos. O próximo passo caberá ao colegiado do STJ, uma vez que o mérito do habeas corpus ainda será submetido a julgamento na turma competente, havendo também a prerrogativa da defesa de recorrer da decisão monocrática de Schietti.
Por outro lado, o caso ainda guarda lacunas relevantes que carecem de elucidação: não está detalhado publicamente o volume exato do capital financeiro que teria sido lavado por meio das linhas operadas pela Transwolff, nem foram revelados todos os nomes de servidores públicos e eventuais outros políticos beneficiados pelos repasses apurados pela operação.
O que está em jogo: a permanência de Milton Leite na prisão reforça a linha dura do Judiciário contra a penetração do PCC no setor público paulistano e impacta a estabilidade das concessões de ônibus na capital. Resta agora observar o julgamento de mérito do habeas corpus na turma do STJ e os desdobramentos dos 18 mandados de busca sobre campanhas eleitorais.
Com informacoes de revistaoeste.com.