Estudo lançado pela Conib documenta raízes históricas e a explosão de ataques contra a comunidade judaica no Brasil após atentados terroristas.

Em resposta ao avanço preocupante da hostilidade contra o povo judeu, foi lançado em São Paulo o projeto documental “Decodificando o Antissemitismo: Um Atlas de Tropos de Ódio, do Deicídio ao Genocídio”. Desenvolvida sob a chancela da Confederação Israelita do Brasil (Conib), a publicação surge com a missão de servir como uma ferramenta permanente de conscientização e combate a narrativas discriminatórias que atravessam séculos da história ocidental.
A iniciativa ganha contornos de urgência diante dos dados recentes sobre a violência contra a comunidade judaica no país. Conforme relatório divulgado pela Conib, o Brasil registrou 989 ocorrências de antissemitismo em 2025 por meio de seu canal de denúncias. O volume representa uma disparada de 149,1% em comparação aos números de 2022. Desse montante expressivo, nada menos que 800 episódios ocorreram no ambiente digital, evidenciando como as redes sociais têm sido instrumentalizadas para propagar a intolerância.
O estudo analisa como os ataques terroristas promovidos pelo Hamas em Israel, no dia 7 de outubro de 2023, serviram como estopim para reativar preconceitos históricos que pareciam amortecidos. Assinada pela antropóloga Anelise Fróes, pelo cientista social Matheus Alexandre e pelo especialista em filosofia política Bruno Cardoni Ruffier, a obra detalha que estruturas arcaicas de difamação continuam a ser recicladas na linguagem atual por meio de memes, postagens e teorias da conspiração.
Durante o evento de apresentação, Anelise Fróes ressaltou a importância da preservação da memória e das ferramentas modernas de enfrentamento. “Hoje, contamos com novos mecanismos de defesa e conscientização que não existiam anteriormente, mas a força histórica da sobrevivência judaica continua sendo um exemplo da importância do diálogo e da resistência contra o ódio”, afirmou a pesquisadora.
Para contornar o problema crônico da subnotificação — uma vez que muitas vítimas optam por não formalizar queixas —, os autores adotaram uma metodologia rigorosa. O trabalho combinou monitoramento automatizado, análise qualitativa de dados e a documentação empírica de casos reais. O livro, de grandes dimensões e ricamente ilustrado, traça uma linha do tempo das perseguições desde a Antiguidade e pode ser consultado tanto fisicamente quanto no formato digital via internet.
O que esta em jogo: A preservação das liberdades civis, da tolerância religiosa e da integridade da comunidade judaica diante da normalização de discursos radicais. O combate ao antissemitismo não diz respeito apenas à proteção de um grupo específico, mas à defesa dos valores fundamentais da civilização judaico-cristã, do respeito à verdade histórica e da rejeição inequívoca a narrativas extremistas que ameaçam a convivência harmônica e a ordem democrática.
Com informacoes de revistaoeste.com.