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STF pode travar julgamento sobre fake news de Nossa Senhora

Ministros avaliam pedido de vista em ação sobre post contra Flávio Bolsonaro. Decisão de Luiz Fux segue em vigor na reta final.

Por Redação Ponto FixoPublicado 29/09/2026 às 14h02· 3 min de leitura
STF pode travar julgamento sobre fake news de Nossa Senhora
Foto: Wilton Junior

O Supremo Tribunal Federal (STF) vive um novo momento de forte tensão interna às vésperas de levar ao plenário a controvérsia sobre a exclusão de conteúdos que atingem a fé católica e o cenário eleitoral. Magistrados da Suprema Corte não descartam a apresentação de um pedido de vista para paralisar o julgamento que definirá a validade de publicações acusando falsamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de articular a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Se um ministro pedir mais tempo para analisar o caso, o desfecho do processo poderá ser empurrado para depois do primeiro turno, congelando o cenário jurídico atual.

Caso a interrupção regimentar de fato se confirme, permanecerá em vigor o entendimento monocrático mais recente, proferido pelo ministro Luiz Fux, que mandou remover as publicações das plataformas digitais. A eventual postergação do caso ocorre em um ambiente já conflagrado dentro da Corte, lembrando episódios recentes de atrito severo, como a sessão de 15 de setembro, marcada por trocas de ofensas entre magistrados antes de Flávio Dino travar, também por vista, a deliberação sobre investigações envolvendo Alexandre de Moraes e mensagens ligadas ao empresário Daniel Vorcaro.

Batalha de decisões expõe divisões

O embate judicial teve início a partir de uma decisão de André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que ordenou a exclusão imediata de uma postagem do humorista Antonio Tabet associando indevidamente o parlamentar à perda do título religioso de Nossa Senhora. A controvérsia ganhou contornos institucionais críticos no domingo, 27, quando Flávio Dino, atuando como relator de um recurso de Tabet no STF, cassou a determinação da Justiça Eleitoral. Dino alegou dúvidas sobre a ilicitude da publicação e invocou preceitos de liberdade de expressão e religiosa — postura que gerou perplexidade entre magistrados do TSE, que viram uma interferência indevida na competência da Corte Eleitoral.

A resposta jurídica veio no dia seguinte, segunda-feira, 28, quando Luiz Fux acolheu a representação formal da campanha de Flávio Bolsonaro e restabeleceu a eficácia da ordem original de Mendonça. Com isso, os três magistrados construíram posições diametralmente opostas: de um lado, Mendonça e Fux atuando pela preservação da integridade eleitoral e contra a disseminação de narrativas falsas sobre símbolos religiosos caros à população; de outro, Dino autorizando a circulação da peça humorística na internet. Diante do choque evidente, tanto Dino quanto Fux solicitaram que suas decisões fossem submetidas à apreciação do plenário do STF.

Reta final acirra disputa no plenário

Na prática política e judicial, o embate define vencedores e perdedores imediatos. A manutenção da retirada do conteúdo favorece diretamente a campanha de Flávio Bolsonaro e o eleitorado conservador e cristão, que rejeitam a manipulação de símbolos da fé para desgaste político em plena disputa de votos. Por outro lado, perdem os grupos que apostavam na viralização do ataque para abalar a imagem do senador. Contudo, resta em aberto se haverá quórum e disposição no plenário para pacificar a jurisprudência antes do pleito ou se o uso de um pedido de vista será o artifício escolhido para postergar a definição definitiva sobre os limites da interferência do STF nos atos do TSE.

O que está em jogo: a definição imediata sobre se a decisão de Luiz Fux que censurou a publicação de Antonio Tabet continuará valendo até o primeiro turno das eleições, impedindo ataques à fé católica na disputa, ou se o plenário do STF referendará a tese de Flávio Dino, cabendo agora observar se algum ministro solicitará vista logo na abertura da sessão colegiada.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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