Disputa ao Senado por Alagoas reúne sete candidatos, com Arthur Lira, Marina JHC e Renan Calheiros tecnicamente empatados na liderança das pesquisas.

A disputa pelas duas vagas ao Senado Federal por Alagoas consolida mais um capítulo da rivalidade histórica entre os clãs Lira e Calheiros, grupos que moldam as decisões políticas do Estado há décadas. Em um pleito que renova dois terços da Câmara Alta, o embate regional ganha peso nacional pelo histórico de seus protagonistas, que comandaram o Congresso nos últimos anos e representam blocos estratégicos no cenário político brasileiro.
Segundo levantamento do instituto Quaest realizado entre 21 e 24 de setembro, o quadro eleitoral apresenta empate técnico na ponta. Marina JHC (PSDB) e Arthur Lira (PP) lideram com 20% das intenções de voto na soma geral de primeiro e segundo sufrágios, seguidos de perto pelo senador Renan Calheiros (MDB), que registra 17%. Como a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, os três concorrentes dividem a liderança numérica na corrida por apenas duas cadeiras.
Equilíbrio de forças na liderança das pesquisas
Na divisão específica das escolhas dos eleitores, a pesquisa apontou Marina JHC com 25% na preferência para o primeiro voto, Arthur Lira com 23% e Renan Calheiros com 21%. Já no segundo voto, Lira aparece com 16%, Marina com 15% e Renan com 14%. Mais atrás na tabela figuram Davi Davino Filho (Republicanos), com 10%, e Dr. Wanderley (MDB), que soma 7%. Os candidatos Alexandre Fleming (UP) e Mariedson (Democrata) não pontuaram no levantamento registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número AL-09692/2026, que ouviu 804 eleitores.
A composição do patrimônio dos postulantes reflete a diversidade do tabuleiro político alagoano. Marina JHC, que atuou como primeira-dama de Maceió e é casada com o ex-prefeito JHC, declarou R$ 47,04 milhões em bens. Já o ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira informou patrimônio de R$ 25,96 milhões. Por outro lado, o experiente Renan Calheiros, com mandato no Senado desde 1995, declarou R$ 3,55 milhões, cifra próxima aos valores apresentados por Alexandre Fleming (R$ 3,81 milhões), Mariedson (R$ 3,81 milhões) e Dr. Wanderley (R$ 3,53 milhões). Davi Davino Filho informou R$ 1,41 milhão à Justiça Eleitoral.
Impacto direto no tabuleiro político de Alagoas
A correlação de forças coloca em jogo ganhos e perdas diretos: uma vitória conjunta de Marina JHC e Arthur Lira, que compartilham a coligação Alagoas Gigante II, representaria a quebra da hegemonia do MDB no Senado pelo Estado e imporia uma dura derrota a Renan Calheiros. Em contrapartida, a sobrevivência eleitoral de Calheiros garante ao MDB a continuidade de sua principal voz de influência e prestígio no Congresso Nacional, mantendo o clã fortalecido perante as articulações em Brasília.
Apesar do desenho atual mostrado pelas sondagens, ainda não se sabe como a distribuição do segundo voto do eleitor se comportará na reta final e nem como os votos dos eleitores indecisos ou de candidatos menores serão redistribuídos no dia da votação, fator decisivo quando a diferença entre os três primeiros colocados está dentro da margem de erro estatística.
O que está em jogo: a definição das duas vagas definirá se Renan Calheiros mantém sua cadeira de mais de três décadas ou se a aliança entre Arthur Lira e o grupo de Marina JHC consolidará uma nova hegemonia política em Alagoas, alterando as lideranças do Estado nas votações decisivas no Senado Federal.
Com informacoes de revistaoeste.com.