Senador Plínio Valério desmente articulação do líder do governo para incluir emenda controversa em proposta que amplia autonomia do Banco Central, enquanto Jaques Wagner é citado em investigação da PF.

O senador Plínio Valério (PSDB-AM), relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 65/2023, que visa ampliar a autonomia administrativa, financeira e orçamentária do Banco Central, negou veementemente a participação do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), na tentativa de incluir a chamada “emenda Master” no texto.
Em nota oficial, Plínio Valério afirmou que as informações que circulavam sobre uma suposta articulação de Wagner “não correspondem absolutamente à verdade”. O senador amazonense esclareceu que o petista nunca discutiu o assunto com ele e que a proposta foi prontamente rejeitada por não possuir qualquer relação com o conteúdo da PEC em questão.
A manifestação do relator ocorre em um contexto de intensa discussão sobre a PEC, que também inclui a constitucionalização do Pix e deve ter sua data de votação no plenário definida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), até a próxima sexta-feira, 19. A proposta já recebeu aprovação da Comissão de Constituição e Justiça.
Paralelamente, Jaques Wagner foi citado na Operação Compliance Zero da Polícia Federal, que investiga a concessão de supostas vantagens por parte do empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, a agentes públicos. A PF apura se o senador teria atuado em favor dos interesses do Banco Master no Congresso, inclusive no que diz respeito à “emenda Master”, que foi apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) e propunha a ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.
As investigações abrangem ainda trocas de mensagens entre Wagner e Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, e pagamentos realizados a Bonnie Bonilha, esposa do enteado do senador, por meio de contratos de consultoria.
O que está em jogo: A controvérsia sobre a “emenda Master” e a citação de Jaques Wagner em uma operação da PF podem impactar a tramitação da PEC que confere autonomia ao Banco Central, levantando questionamentos sobre a influência de interesses privados no legislativo.
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