A Polícia Federal identificou diálogos no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro que indicam um pedido do presidente da Câmara, Hugo Motta, para a liberação de um financiamento milionário para a empresa de sua cunhada, antes de assumir a presidência da Casa.

A Polícia Federal (PF) descobriu mensagens no celular do banqueiro Daniel Vorcaro que detalham uma comunicação com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), a respeito da concessão de um empréstimo do Banco Master para uma companhia ligada à sua cunhada. As conversas, que teriam ocorrido antes de Motta assumir a presidência da Câmara, foram reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo.
As investigações apontam que Motta solicitou diretamente a Vorcaro a liberação de um financiamento de, no mínimo, R$ 22 milhões para Bianca Medeiros, irmã de sua esposa, Luana Motta. O montante, segundo apuração da PF, seria destinado à aquisição de um terreno em João Pessoa para a construção de um novo bairro.
Questionado pelo Estadão, Motta não confirmou diretamente ter atuado na liberação do crédito, mas reiterou a legalidade da operação. Ele assegurou que “não tem ilegalidade de nada nisso” e que a empresa possuía as garantias necessárias para o financiamento, além de o banco operar normalmente à época. O parlamentar também mencionou que o empréstimo está sendo quitado pela empresa.
A PF produziu relatórios internos sobre a relação entre Motta e Vorcaro, que agora são parte da análise da Operação Compliance Zero. Um dos focos é a possível ligação entre o empréstimo e uma emenda proposta por Motta que visava obrigar seguradoras e instituições financeiras a investir em créditos de carbono, um mecanismo que poderia beneficiar negócios da família de Vorcaro. As investigações também revelaram que Vorcaro teria custeado despesas de Motta e do senador Ciro Nogueira (PP-PI) em uma viagem a Lisboa em 2024, incluindo cinco diárias de hotel para cada um.
O que está em jogo: A investigação da Polícia Federal pode indicar possíveis conflitos de interesse e uso da influência política em benefício próprio, levantando questões sobre a ética e a transparência nas relações entre parlamentares e o setor financeiro.
Com informacoes de fonte, fonte.