Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como “Manolo Dom”, teve seu histórico criminal e conexões detalhados pela Polícia Federal após sua prisão na Operação Compliance Zero, sendo apontado como peça-chave em um grupo que agiria em defesa da família Vorcaro.

As investigações da Operação Compliance Zero trouxeram à luz o histórico criminal e as complexas ligações de Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como “Manolo Dom”. A Polícia Federal (PF) o identifica como um dos principais articuladores de um grupo clandestino que atuaria em favor da família do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Segundo o órgão policial, a estrutura liderada por Manoel opera de forma similar a uma organização paramilitar, contando com seguranças privados treinados, armamento pesado, veículos blindados e táticas de intimidação e perseguição contra indivíduos que representariam uma ameaça aos interesses dos Vorcaro.
Mensagens interceptadas pela PF revelam a frequência do contato entre Manoel e Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. As comunicações incluíam discussões sobre estratégias jurídicas e o alinhamento de defesas após as fases da Operação Compliance Zero. Em uma dessas conversas, Manoel expressou preocupação com o avanço das investigações, cobrando coesão do grupo, conforme relatório policial. A PF detalhou que André Martins Hodge servia como elo entre Henrique Vorcaro e Manoel Mendes, enquanto Henrique atuava como operador financeiro da “Turma”, mantendo comunicação constante com Manoel, especialmente em assuntos relacionados à família do indivíduo conhecido como “Sicário”.
As investigações também apontaram movimentações financeiras suspeitas. Uma das empresas de Manoel recebeu transferências que totalizam R$ 200 mil, provenientes de uma companhia com ligações a pessoas do círculo de Henrique Vorcaro. Conversas analisadas pelos investigadores mostram Manoel discutindo pagamentos a integrantes da organização e coordenando ações com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”. Antes de sua prisão em março deste ano, Mourão e Manoel trocaram 58 mensagens. Após a morte de “Sicário” na prisão, Manoel, com autorização de Henrique Vorcaro, viajou a Belo Horizonte para negociar com os familiares do falecido, com o objetivo de evitar a divulgação de informações comprometedoras sobre Daniel e Henrique Vorcaro.
Antes de se envolver em crimes mais graves, Manoel tentou uma carreira política em 2016, candidatando-se à Câmara Municipal do Rio de Janeiro pelo Partido da Mobilização Nacional (PMN), atual Mobiliza, sigla à qual ainda é filiado. No entanto, seu registro foi indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro com base na Lei da Ficha Limpa, devido a uma condenação anterior. Em 2012, Manoel havia sido condenado a 1 ano e 9 meses de reclusão, em regime aberto, por associação criminosa, em um processo que também envolveu José Guilherme Cárdia Soares, apontado pela PF como um dos maiores estelionatários do Sudeste. O trânsito em julgado ocorreu em 2013, resultando na suspensão dos direitos políticos de Manoel.
O que esta em jogo: A revelação da complexa rede de Manoel Mendes Rodrigues, “Manolo Dom”, com características paramilitares e ligações com a família Vorcaro, expõe a profundidade das operações clandestinas e as ramificações de investigações criminais que impactam o setor financeiro e político do país.
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