O Ministério Público de São Paulo solicitou à Justiça a continuidade da prisão preventiva da influenciadora Deolane Bezerra e de outros cinco réus ligados ao PCC.

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), por intermédio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Presidente Prudente, formalizou um pedido à Justiça para manter a prisão preventiva da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra e de outros cinco réus. O requerimento foi encaminhado à 3ª Vara Judicial de Presidente Venceslau, com os promotores sustentando que os pressupostos legais e fáticos que justificaram as detenções cautelares permanecem inalterados e plenamente vigentes.
A ação é decorrente das investigações conduzidas no âmbito da Operação Vérnix, que culminou na prisão de Deolane em Alphaville, na Grande São Paulo, em 21 de maio. O grupo é formalmente acusado de integrar uma estrutura de lavagem de dinheiro e organização criminosa com elos operacionais e financeiros voltados a beneficiar a cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC). A denúncia contra os envolvidos foi recebida pelo Poder Judiciário em 16 de junho, consolidando a abertura do processo penal.
De acordo com os relatórios produzidos a partir da quebra de sigilos bancário e fiscal, a estrutura investigada foi dividida em três frentes principais de atuação. O chamado núcleo decisório seria composto pelo líder máximo da facção, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e por Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior. Já o núcleo operacional contava com Everton de Sousa e Paloma Sanches Herbas Camacho, enquanto o núcleo financeiro reunia Deolane Bezerra e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.
Na acusação, os promotores destacam que Deolane desempenhava papel relevante na dissimulação do capital ilícito, utilizando tanto contas pessoais quanto empresas sob seu controle. A investigação apontou ainda a existência de um suposto plano de reestruturação societária voltado a transferir ativos para fundos sediados em Dubai, configurando tentativa de blindagem e remessa internacional de recursos. Além disso, a apreensão de dinheiro em espécie e de uma máquina de contagem de notas com Everton de Sousa — bens que pertenceriam à influenciadora — reforça, segundo o MPSP, a contemporaneidade das práticas delitivas.
Enquanto a defesa dos acusados busca a revogação das prisões cautelares durante a revisão periódica de 90 dias prevista na legislação processual penal, o Ministério Público enfatiza que tentativas anteriores, incluindo pedidos de habeas corpus, foram reiteradamente rejeitadas pela Justiça. A decisão final sobre a manutenção do regime fechado para os seis réus caberá agora ao magistrado responsável pela 3ª Vara Judicial de Presidente Venceslau, assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa.
O que esta em jogo: A ofensiva contra a lavagem de capitais representa um dos pilares mais estratégicos na desarticulação do crime organizado, visando asfixiar financeiramente as facções e interromper a infiltração de recursos ilícitos na economia formal. A responsabilização rigorosa dos operadores financeiros e intermediários reafirma o império da lei e a segurança jurídica, elementos essenciais para proteger a sociedade e frear a expansão do poder econômico paralelo de organizações criminosas no país.
Com informacoes de revistaoeste.com.