Defesa de Milton Leite recorre ao STJ contra prisão decretada pelo TJ-SP na Operação Vectura Corrupta, que apura elos com o PCC.

A defesa do ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União), ingressou nesta segunda-feira, 21, com um pedido de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para revogar sua prisão temporária. O político foi detido na última sexta-feira, 18, durante os desdobramentos da Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia para apurar a infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte coletivo urbano da capital paulista.
Os advogados Wilton Luís da Silva Gomes, Henrique Sobreira Attuch e Beatriz Alaia Colin estruturaram a peça jurídica em dois eixos centrais. O primeiro contesta a legalidade do rito processual que resultou na custódia: a defesa argumenta que o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) não detinha competência para decretar a prisão após um juiz de primeira instância tê-la negado por considerar o pedido genérico, além de apontar ausência de previsão legal para o recurso interposto pela Promotoria.
Contestação técnica sobre vínculos societários
No mérito dos indícios apresentados, os defensores sustentam que a decisão individual do desembargador Sergio Ribas, do TJ-SP, carece de elementos probatórios diretos. A investigação liga Leite à empresa de ônibus Transwolff, sob a suspeita de lavagem de dinheiro para o crime organizado, atribuindo ao ex-parlamentar o papel de suposto operador e proprietário de fato da concessionária. No entanto, a defesa alega que o mandado se baseou exclusivamente em menções de terceiros ao nome do político, sem demonstrar pagamentos, movimentações financeiras concretas ou vínculo societário formal com as empresas investigadas.
A investida policial contra Milton Leite integra uma ofensiva mais ampla: a Operação Vectura Corrupta mirou 16 alvos com mandados de prisão e cumpriu diligências em 18 endereços espalhados por sete municípios do estado de São Paulo. A apuração abrange denúncias de corrupção envolvendo servidores públicos e investiga a suspeita de que verbas ligadas ao PCC tenham abastecido estruturas financeiras para as campanhas eleitorais de 2024 e de 2026.
Lacunas probatórias e desdobramentos judiciais
Apesar do peso das acusações sobre a infiltração de facções em concessões públicas essenciais, a ação judicial ainda deixa pontas soltas cruciais. Até o momento, o processo não esclarece publicamente em quais datas específicas, por quais indivíduos e sob qual contexto exato o nome de Milton Leite foi associado às operações da Transwolff, detalhe questionado formalmente pelos advogados no recurso encaminhado à Corte superior em Brasília.
O que está em jogo: A decisão do Superior Tribunal de Justiça sobre o pedido liminar de habeas corpus definirá se Milton Leite permanecerá detido enquanto a Operação Vectura Corrupta avança nas perícias dos documentos apreendidos. Caso o STJ anule a ordem do Tribunal de Justiça de São Paulo, a Promotoria e a Polícia paulista precisarão apresentar novas provas concretas de vínculos financeiros para sustentar medidas cautelares contra o ex-presidente da Câmara nos sete municípios investigados.
Com informacoes de revistaoeste.com.