Deputado federal e ex-relator da CPMI do INSS aponta suposto esquema de tráfico de influência envolvendo o filho do presidente e assessores diretos do Palácio do Planalto.

O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), fez duras declarações sobre os recentes desdobramentos de investigações que atingem o círculo íntimo do Palácio do Planalto. Segundo o parlamentar, novos depoimentos prestados à Polícia Federal reforçam as suspeitas de que canais de acesso privilegiados teriam sido abertos dentro do governo para intermediar interesses escusos no Ministério da Saúde, atingindo diretamente o núcleo do poder executivo.
Ex-relator da CPMI do INSS, Gaspar afirmou categoricamente que as revelações envolvem Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e assessores de confiança da Presidência da República. Para o parlamentar, as denúncias mostram que “o gabinete presidencial está manchado com a lama da corrupção”. O foco dos relatos aponta para a atuação do empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”, e suas supostas conexões com Lulinha e a empresária Roberta Luchsinger para facilitar a entrada de negócios na área de canabidiol na pasta da Saúde.
De acordo com os depoimentos colhidos pelas autoridades policiais, teriam atuado como facilitadores Marco Aurélio Santana Ribeiro, o “Marcola”, ex-chefe de gabinete de Lula, e Swedenberger Barbosa, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde e atual membro do Gabinete Pessoal da Presidência. Alfredo Gaspar destacou que, desde março, já havia identificado práticas de tráfico de influência em seu parecer na CPMI, mas sustentou que as novas evidências mostram uma rede ainda mais ampla instalada no próprio Planalto, com indícios de contratos e repasses vinculados a empresários detentores de R$ 80 milhões em contratos com a gestão federal.
O deputado também fez questão de responsabilizar politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo cenário de irregularidades, afirmando que o mandatário não pode alegar desconhecimento sobre os atos praticados por figuras próximas e por seu filho. Gaspar relembrou os embates ocorridos durante a CPMI do INSS, acusando o Palácio do Planalto de usar a liberação de emendas parlamentares para blindar o filho do presidente e derrubar seu relatório final, que somava quase 5 mil páginas. Ele defendeu ainda que Lulinha retorne ao país para prestar esclarecimentos, afirmando que os envolvidos devem ser processados e punidos com rigor pela Justiça.
O que esta em jogo: A retomada de suspeitas de tráfico de influência e favorecimento no coração do governo reacende a vigilância sobre a integridade da administração pública e o uso da máquina estatal em benefício de grupos privados e familiares do poder. O avanço desses depoimentos na Polícia Federal e a pressão da oposição ampliam o desgaste político do Palácio do Planalto, colocando em evidência a necessidade urgente de transparência, responsabilidade fiscal e respeito às instituições republicanas.
Com informacoes de revistaoeste.com.