O candidato de esquerda à Presidência do Peru, Roberto Sánchez, liderou protestos em Lima para contestar os resultados do segundo turno das eleições, que apontam vitória da candidata de direita Keiko Fujimori. Sánchez alega falta de transparência e fraude, sem apresentar provas.

A polarização política no Peru atingiu um novo patamar de tensão neste sábado, quando o candidato de esquerda Roberto Sánchez liderou uma manifestação em Lima para contestar os resultados do segundo turno das eleições presidenciais. A apuração oficial, divulgada pela Oficina Nacional de Processos Eleitorais (Onpe), indica a vitória da candidata de direita Keiko Fujimori com uma margem estreita, mas considerada irreversível.
Sánchez, que se autodeclara herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo — atualmente preso após uma tentativa de autogolpe em 2022 — tem exigido transparência na contagem dos votos e anunciou que recorrerá a organismos internacionais. Seus apoiadores, reunidos em centenas no centro da capital peruana, entoaram o slogan: “O voto não se vende, o voto se defende”, refletindo a desconfiança em relação ao processo eleitoral.
A Onpe informou que, com 99,97% das atas apuradas, Keiko Fujimori soma 50,13% dos votos válidos, enquanto Sánchez obteve 49,86%. A diferença é de pouco mais de 49 mil votos. Apesar da clareza dos números preliminares, o partido Juntos pelo Peru, de Sánchez, convocou a mobilização sob o lema “Defesa do voto popular”, levantando suspeitas de fraude, particularmente nos votos de peruanos no exterior, sem, contudo, apresentar qualquer prova concreta que sustente as alegações.
Esta não é a primeira vez que Sánchez mobiliza seus apoiadores desde a divulgação dos resultados preliminares, em 7 de junho. Ele tem reiterado que não reconhecerá um eventual governo de Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), cuja figura ainda divide profundamente o eleitorado peruano. A recusa em aceitar o resultado oficial lança uma sombra de incerteza sobre a estabilidade democrática do país.
O Peru tem sido palco de intensa instabilidade política desde 2016, um período em que oito presidentes se sucederam no comando do país. A atual disputa eleitoral, marcada pela polarização ideológica entre a direita e a esquerda, é mais um capítulo dessa turbulência. O presidente interino José María Balcázar deve passar a faixa presidencial ao vencedor em 28 de julho, para um mandato de cinco anos, mas o cenário de contestação promete desafiar a transição.
O que está em jogo: A contestação dos resultados eleitorais por parte de Roberto Sánchez e seus apoiadores pode aprofundar a crise política no Peru, atrasar o reconhecimento do presidente eleito e, potencialmente, gerar instabilidade social, dificultando a governabilidade em um país já marcado por sucessivas crises políticas.
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