Durante campanha no Rio de Janeiro, Lula promete desarticular facções criminosas e defende a PEC da Segurança Pública enquanto disputa eleitoral foca no avanço da violência.

Durante ato eleitoral realizado no estádio Moça Bonita, em Bangu, na Zona Oeste da capital fluminense, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou em busca de um quarto mandato presidencial e prometeu retirar facções criminosas dos territórios do Rio de Janeiro. No evento realizado no sábado, 22, o chefe do Executivo afirmou que sua estratégia para reverter o domínio de grupos armados no estado evitará ações cinematográficas e concentrará esforços na captura e encarceramento dos envolvidos.
Em sua fala aos apoiadores, o petista buscou marcar posição sobre o tema da ordem pública: “Nós vamos tirar os bandidos do território de vocês. Não vamos fazer carnaval, pirotecnia, matar 100 ou 200 criminosos. Nós vamos prendê-los”, declarou. A retórica surge em um momento em que a sensação de insegurança se intensifica entre os cidadãos, afetando diretamente a rotina das famílias trabalhadoras que vivem sob o jugo de organizações criminosas e da violência urbana.
O problema da expansão de grupos ilícitos reflete-se em dados consolidados. De acordo com levantamento do instituto Datafolha divulgado em 2025, 19% dos brasileiros declararam residir próximo a localidades com atuação de facções ou milícias. O índice registrou avanço em relação a 2024, quando marcava 14%, configurando um aumento de cinco pontos percentuais em um intervalo de doze meses — montante que representa pelo menos 28,5 milhões de cidadãos convivendo diretamente com a influência do crime organizado.
Para fundamentar suas promessas, o presidente atrelou o plano de segurança à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, projeto já aprovado pela Câmara dos Deputados e que agora segue sob análise do Senado Federal. Caso o texto receba aval definitivo do Congresso Nacional, o petista pretende recriar o Ministério da Segurança Pública e ampliar a estrutura de órgãos federais, nomeadamente a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal, centralizando mais atribuições na esfera da União.
O endurecimento da pauta e a disputa por protagonismo na segurança pública também sofrem influência do contexto internacional. Recentemente, os Estados Unidos classificaram organizações como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, elevando a cobrança diplomática sobre o combate ao narcotráfico. Diante desse cenário, a repressão ao crime tornou-se um dos principais eixos da disputa eleitoral de 2026, sendo igualmente defendida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula no pleito.
O que esta em jogo: A segurança pública se consolidou como o principal campo de batalha das eleições de 2026, impulsionada pelo temor de milhões de famílias que sofrem diariamente com o avanço territorial de facções criminosas. A discussão sobre a centralização de poderes na União por meio de reformas constitucionais e a criação de novos ministérios coloca em xeque a eficácia das políticas de estado contra a criminalidade, demandando respostas firmes que garantam a soberania, a ordem e o direito à integridade da população.
Com informacoes de revistaoeste.com.