O Grupo J&F solicitou aprovação em rito sumário ao órgão antitruste para concluir a compra da Avibras Aeroco por meio da Globe Investimentos.

O conglomerado J&F, controlado pelos empresários Joesley e Wesley Batista, formalizou um pedido junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) solicitando a tramitação em rito sumário da aquisição da Avibras Aeroco. A operação marca a entrada definitiva do grupo na indústria aeroespacial e no setor de tecnologia voltado à defesa nacional, movimento operacionalizado por meio do veículo Globe Investimentos.
Para fundamentar o pedido de urgência na análise regulatória, a representação jurídica do grupo sustentou que a operação não impõe riscos à concorrência no mercado brasileiro. Segundo a tese apresentada ao Cade, nenhuma das empresas sob a gestão da família Batista possui fatia superior a 10% do mercado doméstico de armamentos, classificando a transação como uma medida que não produz impactos anticoncorrenciais nocivos.
A investida no segmento bélico decorre de uma reestruturação iniciada após a fábrica da Avibras localizada em Jacareí, no interior de São Paulo, retomar as suas atividades em maio. A unidade permaneceu inoperante durante três anos em virtude de graves crises financeiras, endividamento e paralisações trabalhistas. A reativação das linhas de produção de mísseis contou com um aporte de R$ 300 milhões viabilizado por Joesley Batista e um consórcio de empresários nacionais.
Com a transição para a Avibras Aeroco em outubro de 2025, os novos gestores assumiram o conjunto de projetos estratégicos e os ativos de propriedade intelectual e tecnológica da histórica fabricante. Dentre os principais itens do portfólio fabril destacam-se o renomado sistema de artilharia Astros, além de propulsores para o setor espacial e foguetes destinados a treinamentos operacionais das forças de segurança.
O movimento também conta com respaldo no cenário governamental. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a inspecionar as dependências da fábrica em Jacareí dois meses após o reinício das operações, ocasião em que manifestou apoio ao fortalecimento e rearmamento das Forças Armadas brasileiras. A intenção dos novos investidores é restabelecer pontes comerciais no exterior, recuperando a presença em mercados compradores tradicionais da companhia, a exemplo de Arábia Saudita, Catar, Indonésia e Malásia.
De acordo com a estrutura informada, a operação da empresa bélica será gerida de maneira independente pelo escritório familiar dos irmãos Batista. A administração do negócio de defesa não terá integração operacional com os demais empreendimentos da holding J&F, tais como o frigorífico JBS, a geradora Âmbar Energia e a produtora Eldorado Celulose.
O que esta em jogo: A transição do controle da Avibras representa um movimento estratégico sobre a base industrial de defesa do país e a soberania tecnológica nacional. A entrada de capital privado forte em um ativo bélico crítico garante a continuidade de projetos como o sistema Astros, cruciais para a capacidade de dissuasão e a preservação da soberania territorial, mas também coloca a infraestrutura sensível de defesa sob a tutela de um dos maiores conglomerados corporativos do Brasil.
Com informacoes de revistaoeste.com.