Guto Zacarias aciona Ministério Público contra Erika Hilton por suposto showmício em show com 50 mil pessoas na capital paulista.

A presença da deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) no palco de uma apresentação musical na capital paulista transformou-se no centro de uma nova controvérsia jurídica e eleitoral. O deputado estadual Guto Zacarias (Missão-SP) ingressou com uma representação junto à Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo contra a parlamentar esquerdista, sob a acusação de promoção indevida e realização de showmício irregular durante o espetáculo do cantor Jão.
O evento em questão reuniu um público estimado em mais de 50 mil pessoas na capital paulista — contingente expressivo que equivale à lotação de grandes arenas de futebol do país. Segundo a representação judicial, a estrutura do megaevento acabou sendo instrumentalizada para dar visibilidade eleitoral desproporcional à parlamentar, que foi convidada pelo cantor a subir ao palco durante a execução da faixa musical “Meninos e Meninas”. Diante disso, a ação pede a imediata remoção de publicações sobre o ato nas redes sociais e a devida apuração sobre eventual abuso de poder político.
Regras eleitorais e acusações de palanque
Historicamente, a legislação eleitoral brasileira impõe restrições severas ao uso de espetáculos artísticos para autopromoção de agentes públicos e candidatos, buscando assegurar a igualdade de condições nas disputas e evitar que a comoção popular de grandes shows seja convertida em votos. Conforme prevê expressamente o Manual do Candidato do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), “é proibida a realização de showmício e de evento assemelhado, presencial ou transmitido pela internet, para promoção de candidatos e a apresentação, remunerada ou não, de artistas com a finalidade de animar comício”.
Na peça encaminhada aos órgãos de fiscalização, Guto Zacarias sustentou que a magnitude do show serviu, na prática, como palanque eleitoral antecipado. Para o parlamentar conservador, a presença de uma figura política em evidência perante dezenas de milhares de espectadores desequilibra o processo democrático ao contornar as vedações legais vigentes. Ele argumentou que “a participação da candidata em espetáculo artístico de tamanha magnitude configura, em tese, showmício ou evento assemelhado, vedado pela legislação eleitoral”.
Versão da deputada e lacunas do caso
Por outro lado, Erika Hilton rejeitou veementemente qualquer conotação eleitoral no episódio. Em declarações prestadas à imprensa, a congressista do PSol justificou que sua ida ao palco decorreu de uma relação pessoal de amizade com o artista, afirmando: “Minha participação não foi nem como deputada nem como candidata, foi como amiga do Jão e uma representante da comunidade LGBT em um dia importante”. O caso expõe um embate direto entre a fiscalização do cumprimento das normas eleitorais e a tentativa de personalidades da esquerda de utilizarem espaços da cultura popular como vitrine de projeção.
No entanto, restam pontos ainda não esclarecidos sobre o caso: a Justiça Eleitoral não estipulou data formal para emitir uma decisão sobre a liminar de remoção dos vídeos na internet, tampouco se sabe se os organizadores do show ou o cantor Jão serão formalmente intimados a prestar esclarecimentos no processo conduzido pelo Ministério Público.
O que está em jogo: caberá à Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo e aos juízes eleitorais do estado definirem se a conduta de Erika Hilton extrapolou a esfera pessoal e violou as vedações do TSE contra showmícios. A decisão servirá de baliza para artistas e congressistas em futuras apresentações culturais em São Paulo e poderá resultar na imposição de multas ou sanções por propaganda antecipada à parlamentar.
Com informacoes de revistaoeste.com.