Sob forte aparato policial, Alexandre Barci de Moraes casou-se na capital paulista em meio a escândalo envolvendo contrato de R$ 131 milhões.

A celebração matrimonial do advogado Alexandre Barci de Moraes reuniu integrantes da cúpula do Poder Judiciário sob forte esquema de segurança em São Paulo, no sábado, 26 de setembro de 2026. Realizado na Casa Fasano, localizada no tradicional bairro Cidade Jardim, o evento mobilizou agentes das polícias Civil, Militar e Judiciária, além de provocar o fechamento preventivo da ciclovia às margens do Rio Pinheiros na véspera da festa. O aluguel do espaço para a recepção foi estimado entre R$ 60 mil e R$ 200 mil.
A cerimônia contou com a presença de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), entre eles Gilmar Mendes e Cristiano Zanin. O trânsito de autoridades atraiu atenção devido à chegada de veículos oficiais com placas do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) logo nas primeiras horas da tarde, evidenciando o aparato institucional montado ao redor do evento privado da família do ministro Alexandre de Moraes.
Contrato milionário e conexões bancárias
O noivo atua no escritório Barci de Moraes, banca jurídica liderada pela esposa do ministro do STF. A firma ganhou notoriedade recente ao celebrar, em janeiro de 2024, um volumoso contrato de R$ 131 milhões com o Banco Master, instituição financeira ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro. A cifra expressiva — que destoa do padrão habitual de contratações do setor sem ampla exposição pública — abrange serviços de assessoria, programas de integridade e representação jurídica em procedimentos administrativos e policiais.
A celebração festiva ocorre em um momento de sensibilidade institucional para a mais alta corte do país. No dia 15 de setembro, o plenário do STF começou a apreciar uma solicitação para abertura de apuração sobre supostas ligações do ministro Alexandre de Moraes com o ex-controlador do Banco Master. O julgamento, no entanto, foi interrompido após o placar registrar 4 votos a 3 contra a análise conjunta dos pedidos, resultando em suspensão do processo por um pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Incógnitas e desdobramentos na Suprema Corte
Ainda não se sabe qual será o teor do voto-vista de Flávio Dino e nem quando o magistrado devolverá o processo à pauta do plenário. Do mesmo modo, permanecem sem esclarecimentos detalhados a extensão integral dos serviços prestados pelo escritório Barci de Moraes ao Banco Master sob o montante acordado de nove dígitos, bem como as justificativas operacionais para o uso ostensivo de recursos da segurança pública e de viaturas do TRT-2 em uma celebração particular.
O que está em jogo: a credibilidade e a transparência do STF diante de contratos vultosos que envolvem parentes diretos de seus magistrados e agentes do sistema financeiro. Na prática, o episódio alimenta a cobrança da sociedade por regras mais rígidas de impedimento e suspeição na mais alta corte. Resta observar quando o ministro Flávio Dino devolverá o pedido de vista sobre as apurações ligadas ao Banco Master e como os demais ministros se posicionarão sobre a conduta de Moraes.
Com informacoes de revistaoeste.com.