Flávio Bolsonaro criticou a proibição repentina de bets pelo governo Lula, chamando a medida provisória de manobra eleitoreira.

A reta final da corrida eleitoral ganhou novos contornos de confronto direto entre a oposição e o Palácio do Planalto. Durante ato de campanha em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, o senador e candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, disparou duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O parlamentar reagiu à edição de uma medida provisória que determinou o encerramento das atividades de apostas esportivas e cassinos virtuais no país, classificando a iniciativa do Executivo federal como uma manobra artificial para conter desgastes populares às vésperas da votação.
Em cima de um trio elétrico ao lado de Douglas Ruas, correligionário e candidato ao governo do Rio de Janeiro, Flávio afirmou que a gestão petista tenta se esquivar da responsabilidade pelo endividamento das famílias gerado pela proliferação das plataformas de jogos. O senador rotulou Lula como o verdadeiro patrono da crise do setor, chamando-o de “pai do tigrinho” e “pai do cassino on-line”. Segundo o congressista, o Planalto agiu por conveniência ao constatar o impacto negativo da atividade na renda popular, recorrendo a um ato extremo a apenas nove dias do primeiro turno das eleições presidenciais.
Reação a medidas provisórias eleitoreiras
O ataque verbal reflete a avaliação da ala liberal e conservadora de que a canetada governamental carece de sustentação de longo prazo e serve prioritariamente como instrumento de propaganda. Na véspera, durante cerimônia da Polícia Militar fluminense, Flávio já havia classificado a decisão de “populista, hipócrita e eleitoreira”. Para o candidato, a proibição abrupta das bets não oferece garantias de permanência após o encerramento do processo eleitoral, levantando suspeitas de que as regras possam ser flexibilizadas assim que as urnas forem fechadas.
Além das críticas à condução da pauta dos jogos de azar, Flávio delineou pilares do seu plano de governo, focando em segurança pública e responsabilidade fiscal. Entre os compromissos expressos no palanque, o postulante do PL prometeu deflagrar ações contundentes contra grupos do narcoterrorismo, reduzir a maioridade penal para 16 anos e promover um choque de corte de gastos públicos e impostos, com ênfase na desoneração da folha de pagamento. Na saúde, reiterou a intenção de convidar a diretoria do Hospital Israelita Albert Einstein para implementar modelos de gestão de excelência no Sistema Único de Saúde (SUS), afirmando ainda que pretende receber a faixa do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Incógnitas jurídicas e o destino arrecadatório
A ofensiva do governo abre um flanco de questionamentos tanto no campo fiscal quanto no jurídico. De um lado, famílias de baixa renda e pequenos empresários sufocados pelo endividamento veem na restrição uma trava emergencial ao dreno de recursos domésticos; de outro, o mercado de tecnologia e os operadores de apostas enfrentam um cenário de insegurança regulatória e suspensão imediata de negócios. Um ponto que permanece sem esclarecimento detalhado pelas autoridades é o destino exato dos recursos previamente recolhidos por meio de outorgas pagas pelas empresas para atuar no território nacional.
O que está em jogo: A medida provisória assinada por Lula transfere para o Congresso Nacional a responsabilidade de referendar ou derrubar a proibição total das bets, enquanto o setor financeiro e as famílias endividadas aguardam os desdobramentos operacionais do bloqueio das páginas. Resta acompanhar a tramitação legislativa da matéria e a resposta do Poder Judiciário a eventuais contestações das empresas do segmento nos próximos dias de campanha eleitoral.
Com informacoes de revistaoeste.com.