Produtores enfrentam prejuízos pesados e cobram ação federal contra importações predatórias da China em meio a colapso em MG.

A horticultura brasileira enfrenta um dos momentos mais delicados de sua história recente, culminando na decretação de estado de emergência econômica no município de São Gotardo, principal polo produtor de Minas Gerais. O setor foi duramente atingido por uma combinação de intempéries climáticas, forte elevação nos custos operacionais e a entrada massiva de produtos importados no mercado doméstico. Em entrevista ao programa A Força do Agro, o presidente da Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa), Rafael Corsino, detalhou a dimensão da crise enfrentada pelos produtores rurais do país.
As perdas financeiras acumuladas chegam a impressionantes R$ 70 mil por hectare cultivado. Em uma cultura de alto investimento intensivo como a do alho, cifras desse porte representam a descapitalização imediata e severa do produtor, superando com frequência a própria margem bruta esperada para toda a safra. O cenário começou a se deteriorar quando oscilações climáticas atípicas encareceram os tratos culturais e reduziram substancialmente o rendimento das lavouras, enquanto os insumos agrícolas registraram fortes altas de preço, elevando os custos a patamares inviáveis.
Concorrência predatória afeta mercado interno
O quadro agronômico adverso foi agravado pela dinâmica comercial desfavorável. O fluxo de alho estrangeiro, com destaque para a mercadoria oriunda da China, intensificou-se no mercado brasileiro justamente no início da janela da colheita nacional, aberta em junho. Essa sobreposição provocou a saturação dos centros atacadistas e derrubou as cotações pagas aos agricultores para patamares abaixo do custo de produção, travando a comercialização e deixando toneladas da hortaliça retidas em galpões de armazenamento sem comprador à vista.
Corsino ressaltou a desvantagem competitiva dos agricultores brasileiros frente aos subsídios externos. “A entrada massiva de mercadoria de fora no pico da safra local asfixia a cadeia produtiva”, afirmou o presidente da Anapa, reforçando que “o produtor brasileiro cumpre exigências sanitárias e fiscais rigorosas e não tem como competir com preços subsidiados do exterior”. Caso o cenário persista sem intervenções emergenciais, famílias e empresas rurais correm risco iminente de encerramento definitivo das atividades produtivas.
Setor cobra respostas do governo federal
Diante da gravidade da situação em São Gotardo e em outras regiões agrícolas do país, a Anapa apresentou demandas urgentes direcionadas ao Poder Executivo em Brasília. A entidade reivindica o endurecimento das barreiras aduaneiras para conter práticas desleais de dumping, maior rigor nas fiscalizações portuárias e a abertura de linhas especiais de renegociação de dívidas agrícolas para socorrer as propriedades rurais endividadas.
Embora as perdas tenham sido formalmente mapeadas pela Anapa e reconhecidas no decreto municipal, ainda não está claro se o governo federal acatará os pedidos de revisão tarifária ou se haverá liberação célere de crédito emergencial antes do término do ciclo de comercialização da safra estocada. A sobrevivência das milhares de famílias que dependem do cultivo da hortaliça depende diretamente da velocidade dessa resposta de Brasília.
O que está em jogo: A continuidade da atividade agrícola em São Gotardo e a manutenção de milhares de empregos gerados pelo setor do alho em Minas Gerais. Cabe acompanhar se o governo federal atenderá às reivindicações da Anapa por reforço nas barreiras antidumping e socorro financeiro para renegociação de dívidas das famílias rurais.
Com informacoes de revistaoeste.com.