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Juiz autorizou PF a arrombar cofres do BRB em ação

Decisão judicial na Operação Compliance Zero autorizou uso de força na sede do BRB para apurar negócios com o Banco Master. Entenda o caso.

Por Redação Ponto FixoPublicado 23/09/2026 às 11h02· 3 min de leitura
Juiz autorizou PF a arrombar cofres do BRB em ação
Foto: Agência Brasília from Brasília, Brasil / Wikimedia

A atuação de instituições financeiras públicas sob escrutínio policial ganhou contornos de gravidade com os desdobramentos da Operação Compliance Zero. Em 2025, a 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal emitiu uma ordem expressa que permitia aos agentes da Polícia Federal o arrombamento de portas, armários e cofres na sede do Banco de Brasília (BRB). A decisão, assinada pelo juiz federal Ricardo Augusto Soares Leite, previa o emprego de força física irrestrita caso a diretoria da estatal distrital impusesse qualquer tipo de resistência ao cumprimento do mandado judicial.

O episódio remonta a 18 de novembro de 2025, data em que a primeira fase da operação foi deflagrada publicamente. Apesar do teor rígido e coercitivo da ordem judicial — comum em apurações de crimes financeiros complexos para evitar a destruição de provas —, a execução das buscas ocorreu sem a necessidade de arrombamentos forçados. A própria Polícia Federal registrou que os funcionários e a cúpula da instituição liberaram o acesso total às dependências do banco, permitindo a apreensão de equipamentos eletrônicos, computadores, notas e arquivos estratégicos.

Devassa em andares da cúpula

A incursão policial concentrou o foco nos centros de decisão do banco público, incluindo o 17º e o 18º andar, onde despacham o presidente e os diretores executivos, além da superintendência localizada no 11º andar. Nessas dependências, os policiais apreenderam discos rígidos, notebooks e agendas com anotações manuais que detalham a aproximação financeira entre a instituição pública e entidades privadas. O material apreendido busca reconstruir o passo a passo de transações que envolviam a compra de ativos e movimentações de crédito.

Entre as apreensões mais sensíveis estavam relatórios diretos sobre transações com o Banco Master. Documentos com títulos como “Estratégia Mitigação de Risco Master”, “Aquisições de Carteiras Master” e planos batizados de “Vitrine” e “Vértice” foram recolhidos pela PF. As autoridades também localizaram minutas de auditoria prévia (due diligence) apontando alertas de risco e análises sobre a possibilidade de o BRB assumir o controle do Master sem a presença do banqueiro Daniel Vorcaro, além de registros sobre aumento de capital, debêntures, títulos do Tesouro norte-americano e Cédulas de Crédito Bancário.

Documentos e contratos estaduais apreendidos

As buscas revelaram ainda a extensão dos tentáculos operacionais em outros estados da federação. A PF confiscou contratos de serviços de cobrança extrajudicial firmados pelo Banco Master com entidades representativas da Bahia, a exemplo da Associação dos Servidores da Saúde e Afins da Administração Direta do Estado da Bahia (Asseba) e da Associação dos Servidores do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (Asteba). Esses documentos ajudam os investigadores a mapear o fluxo de capitais e eventuais favorecimentos.

Apesar da robustez do material recolhido na sede do BRB, ainda não se sabe qual é a extensão total do dano financeiro sob investigação e se haverá indiciamento formal de membros da cúpula do banco ou de executivos do Master. O próximo passo da apuração caberá à perícia da Polícia Federal, que analisa a integridade dos arquivos eletrônicos apreendidos para encaminhar o relatório final ao Ministério Público Federal e à 10ª Vara Criminal do DF.

O que está em jogo: A apuração da Operação Compliance Zero atinge a credibilidade do Banco de Brasília e a lisura na gestão de ativos de um banco controlado pelo Distrito Federal. Caso as perícias da PF confirmem irregularidades nos contratos com o Banco Master, a instituição estatal pode enfrentar sanções de órgãos reguladores e prejuízos no mercado de crédito, enquanto os executivos envolvidos podem responder judicialmente perante a Justiça Federal.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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