O Ceará se torna um foco de disputa interna no Partido Liberal (PL), com Michelle e Flávio Bolsonaro em lados opostos sobre possíveis alianças para as eleições de 2026, especialmente quanto à aproximação com Ciro Gomes.

O Partido Liberal (PL) elegeu o Ceará como um dos estados mais estratégicos para as eleições de 2026. A legenda projeta eleger seis deputados federais na região, dobrando sua bancada atual de três representantes. Contudo, essa ambição se choca com uma notável divisão interna entre figuras proeminentes do partido: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
A principal fonte de tensão reside na possível aproximação com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB). Enquanto o diretório cearense do PL e o senador Flávio Bolsonaro apoiam uma aliança com o tucano para a disputa pelo governo estadual, Michelle Bolsonaro mantém forte resistência. A ex-primeira-dama defende o apoio à candidatura do senador Eduardo Girão (Novo), visto como uma alternativa de oposição ao grupo político dominante no estado.
Essa divergência não é nova. No final do ano passado, Flávio Bolsonaro chegou a criticar publicamente a postura de Michelle, classificando-a como “autoritária” em meio às discussões sobre a estratégia eleitoral no Ceará. Apesar do impasse, o PL planeja um evento em julho no estado, buscando apresentar uma imagem de unidade. Michelle participará do lançamento da pré-candidatura ao Senado de Priscila Costa, aliada do PL Mulher, enquanto Flávio apoiará o lançamento da pré-candidatura de Alcides Fernandes, que o diretório cearense trabalha para o Senado.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio, enfatizou a importância do Ceará. “O Ceará, para nós, é estratégico”, afirmou Marinho a jornalistas, destacando a expectativa de eleger seis deputados federais e ter um candidato próprio ao Senado. A presença de Michelle e Flávio no mesmo evento é vista por integrantes da legenda como uma tentativa de pacificar as diferenças e transmitir uma percepção de coesão entre os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, mesmo que as divergências sobre o futuro político no Ceará persistam.
O que está em jogo: A definição das alianças no Ceará é crucial para o PL consolidar sua força no Nordeste e testar a capacidade de articulação e unidade interna da direita para as eleições de 2026.
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