Um adolescente de 14 anos faleceu em uma UPA de Sorocaba após uma espera de 18 horas por transferência, com a família suspeitando de negligência médica e um quadro de dengue hemorrágica inicialmente tratado como gripe.

A saúde pública de Sorocaba, no interior de São Paulo, está sob os holofotes após a trágica morte de Riquelme Gabriel Almeida Santos, de apenas 14 anos, no último sábado, 27. O adolescente veio a óbito na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Éden, depois de aguardar por cerca de 18 horas por uma transferência crucial para a Santa Casa. A família de Riquelme registrou um boletim de ocorrência, levantando a séria suspeita de negligência médica e apontando que o jovem apresentava um quadro de dengue hemorrágica, cujos sintomas teriam sido, segundo o pai, tratados de forma inadequada.
A peregrinação de Riquelme pela rede de saúde começou com atendimentos no Pronto Atendimento do Laranjeiras, seguido de seu encaminhamento para a UPA Éden. De acordo com o relato familiar, exames foram realizados, e ele chegou a receber alta. Contudo, poucas horas depois, a piora do quadro clínico o levou de volta à mesma unidade. O jovem permaneceu internado, à espera de uma vaga hospitalar, mas a transferência não se concretizou a tempo, resultando em sua morte antes que pudesse ser levado para o hospital de referência.
Deyvisson Camini, pai do adolescente, expressou sua profunda indignação e dor, criticando o atendimento que seu filho recebeu. Ele relatou que os sintomas que indicavam dengue hemorrágica foram inicialmente tratados como uma simples gripe. “Meu filho estava com dengue hemorrágica, trataram ele como se fosse gripe. Dando soro, Tramal e dipirona na veia. Foram 18 horas com meu filho sofrendo, com dor, gemendo em cima de uma maca”, desabafou Camini em uma publicação nas redes sociais, descrevendo o momento dilacerante em que o filho faleceu em seus braços.
Diante da gravidade do caso, a Secretaria Municipal de Saúde de Sorocaba informou que instaurou uma apuração interna para averiguar as circunstâncias da morte e as condutas médicas aplicadas. A pasta, contudo, ressaltou que a causa oficial do óbito ainda depende de confirmação do Serviço de Verificação de Óbito, não podendo, por ora, confirmar a suspeita de dengue hemorrágica. A declaração oficial da Secretaria indica que “todas as medidas e protocolos de atendimento foram tomados”, enquanto se aguarda o resultado da investigação.
Este triste episódio ressalta a importância da agilidade e precisão no diagnóstico e tratamento de doenças como a dengue, especialmente em um cenário de alerta epidemiológico. A demora na transferência para unidades mais equipadas e a suposta subavaliação dos sintomas podem ter consequências fatais. A investigação em curso é crucial para determinar as responsabilidades e garantir que protocolos sejam revisados e aprimorados, visando evitar que tragédias semelhantes se repitam e assegurando a confiança da população no sistema de saúde.
O que está em jogo: A apuração deste caso é fundamental para determinar falhas no atendimento e na gestão de leitos em Sorocaba, podendo resultar em responsabilizações e na revisão de protocolos de saúde para evitar novas fatalidades por demora ou erro de diagnóstico.
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