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Lula em Cúpula do Mercosul: Acordo com Japão e Onda Conservadora Marcam Encontro

Em cúpula do Mercosul no Paraguai, o presidente Lula se reuniu com líderes sul-americanos, incluindo presidentes conservadores. O encontro discutiu a expansão comercial do bloco, com destaque para negociações com o Japão, e a crescente influência da "Onda Azul" na região.

Por Redação Ponto FixoPublicado 30/06/2026 às 13h04· 3 min de leitura
Lula em Cúpula do Mercosul: Acordo com Japão e Onda Conservadora Marcam Encontro
Foto: Divulgação/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, em Assunção, Paraguai, em um cenário de significativas mudanças políticas na América do Sul. A reunião, que marca a passagem da presidência temporária do bloco do Paraguai para o Uruguai, evidenciou a ascensão de lideranças conservadoras na região, um contraste notável com a presença de Lula e do presidente uruguaio, Yamandú Orsi, como representantes da esquerda.

Entre os nomes de destaque na cúpula estavam o presidente da Argentina, Javier Milei, o presidente do Equador, Daniel Noboa, e o líder chileno José Antonio Kast. A participação desses chefes de Estado ressalta o fortalecimento de governos e lideranças conservadoras, um fenômeno descrito pelo Palácio do Planalto como a “Onda Azul”. Esse movimento, conforme avaliações internas do governo brasileiro, pode impactar a influência de fóruns multilaterais tradicionais como a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

Apesar do contexto regional de guinada à direita, o Mercosul é considerado pelo governo brasileiro um instrumento fundamental para a integração regional. Um dos pontos centrais da agenda foi a estratégia de expansão das parcerias comerciais do bloco. A expectativa é o anúncio formal do início das negociações para um acordo de livre-comércio com o Japão, um passo estratégico que Lula já havia discutido com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, no início do mês. Este acordo abrangeria bens, serviços e compras governamentais, prometendo abrir novos horizontes para as economias dos países membros.

Além do Japão, o Mercosul avança em negociações com o Canadá e os Emirados Árabes Unidos, que estariam próximas da fase final. O bloco também busca ampliar o acordo de preferências tarifárias já existente com a Índia. Essas iniciativas demonstram um esforço concentrado em diversificar e fortalecer as relações comerciais do Mercosul em um cenário global dinâmico.

A situação humanitária na Venezuela, após os recentes terremotos que causaram 1.719 mortes e mais de 5 mil feridos, também foi um tema de solidariedade na cúpula. Brasil, Argentina e Paraguai já haviam mobilizado ajuda humanitária, enviando medicamentos, equipamentos e equipes de resgate. A expectativa era de manifestações de solidariedade dos chefes de Estado, sublinhando a importância da cooperação regional em momentos de crise, enquanto o governo venezuelano, sob Delcy Rodríguez, decretava estado de emergência e mais de 50 mil pessoas seguiam desaparecidas.

O que esta em jogo: A cúpula do Mercosul em Assunção reflete a delicada balança geopolítica na América do Sul, com o bloco buscando se consolidar como um ator comercial relevante frente à ascensão conservadora e o Brasil se posicionando estrategicamente em meio a essas transformações, enquanto avança em acordos comerciais vitais para seu futuro econômico.

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