Um trecho recém-concluído da Avenida Liberdade, em Belém, projetada para a COP 30, cedeu, revelando que uma das construtoras é de propriedade da mulher de um deputado federal que já foi alvo de operação da Polícia Federal por suposta corrupção e desvio de verbas.

A infraestrutura de Belém, capital do Pará, projetada para sediar a Conferência das Partes (COP 30) em 2025, enfrenta um escrutínio após o asfalto de um trecho da recém-inaugurada Avenida Liberdade ceder. A obra, que custou R$ 410 milhões aos cofres públicos e foi concluída em abril deste ano, é alvo de questionamentos, especialmente porque uma das empreiteiras responsáveis faz parte de um consórcio que inclui a JAC Engenharia, empresa cuja sócia é a mulher do deputado federal Antônio Doido (MDB-PA).
O parlamentar e sua esposa não são figuras estranhas às investigações. Ambos foram alvo de uma operação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos. A PF sustenta que o casal utilizaria empresas para desviar verbas públicas através de fraudes em licitações do governo paraense, com parte dos valores sendo sacados em espécie para financiar campanhas eleitorais. Em um episódio notório, registrado pelos investigadores em dezembro passado, dois celulares foram arremessados da janela do apartamento do deputado durante o cumprimento de mandados.
A construção da Avenida Liberdade, cujo contrato foi assinado em junho de 2024 (o que parece ser uma divergência factual em relação à conclusão em abril, indicando que a assinatura pode ter sido em junho de 2023 ou a conclusão posterior), já havia gerado controvérsia antes mesmo de ceder. Ambientalistas e comunidades ribeirinhas criticaram a obra, denunciando impactos socioambientais significativos e a destruição de áreas essenciais para a subsistência dos moradores locais, apontando para um legado problemático para a cidade, que ainda lida com desafios como saneamento básico deficiente.
Em resposta ao incidente, a Secretaria de Infraestrutura e Logística (Seinfra) de Belém informou que o problema foi detectado em inspeções de rotina e que os reparos necessários, em um trecho de aproximadamente 150 metros, serão integralmente custeados pelas empresas do consórcio responsável. O governo do Pará destacou que o consórcio é composto por cinco construtoras de diferentes Estados, visando diluir a responsabilidade e o impacto do problema técnico.
A fragilidade da infraestrutura e as suspeitas de corrupção em torno de projetos grandiosos como este lançam uma sombra sobre a preparação de Belém para um evento internacional de tal magnitude como a COP 30. A situação expõe a importância de uma fiscalização rigorosa e da transparência em obras públicas, especialmente aquelas que envolvem vultosos recursos e têm impacto direto na vida da população e no meio ambiente, como é o caso de iniciativas ligadas a eventos climáticos globais.
O que está em jogo: A integridade das obras públicas, a credibilidade dos preparativos para a COP 30 e a confiança da população nas instituições públicas, além de reforçar a necessidade de combate à corrupção e desvios de recursos que comprometem o desenvolvimento e a qualidade de vida.
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