O procurador-geral da República, Paulo Gonet, recusou uma nova tentativa de acordo de colaboração premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, afirmando que as provas já coletadas nos celulares e documentos do investigado são equivalentes a uma delação.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, rechaçou uma nova tentativa da defesa de Daniel Vorcaro de reabrir as negociações para um acordo de delação premiada. Segundo relatos dos bastidores, Gonet teria ‘fechado as portas’ para qualquer possibilidade de entendimento, apesar dos esforços do advogado de Vorcaro em apresentar novas informações.
O advogado Sérgio Leonardo, representante do ex-banqueiro, chegou a se encontrar com Gonet no Supremo Tribunal Federal (STF) para propor uma nova colaboração, prometendo revelar dados de interesse dos investigadores. Contudo, a oferta foi prontamente recusada pelo procurador-geral, indicando uma postura de firmeza por parte da Procuradoria-Geral da República (PGR) em relação ao caso.
A desconfiança da Polícia Federal e da PGR em relação às intenções de Vorcaro é um fator central na recusa. A avaliação interna é de que o ex-banqueiro estaria buscando um ‘truque’ para obter liberdade, sem demonstrar real disposição para confessar integralmente seus crimes. Essa percepção pode ter sido determinante para a postura inflexível de Gonet.
Além da falta de confiança na disposição de Vorcaro, Gonet considera que o vasto material probatório já encontrado nos documentos e celulares do investigado é robusto o suficiente. Para os investigadores, as informações obtidas por meio da análise desses aparelhos já configuram um volume de dados equivalente ao que seria entregue em uma delação premiada, esvaziando a necessidade de um novo acordo.
No contexto mais amplo do caso, o ministro André Mendonça, relator do ‘Caso Master’ no STF, determinou a transferência de Vorcaro para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. Curiosamente, Vorcaro deve permanecer isolado por pelo menos dez dias na mesma cela que o ex-presidente Jair Bolsonaro, uma medida sanitária para evitar a disseminação de doenças. Também cumpre pena na Papudinha o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que é visto como um potencial colaborador, o que motivou a ordem de Mendonça para garantir a incomunicabilidade entre os presos envolvidos na Operação Compliance Zero.
O que está em jogo: A recusa de Gonet em negociar com Daniel Vorcaro sinaliza a confiança da PGR na robustez das provas já coletadas, podendo influenciar o desdobramento de investigações futuras e a postura de outros investigados em buscar acordos de colaboração.
Com informacoes de fonte.