A Polícia Federal aprofunda a Operação Compliance Zero, investigando repasses de R$ 11 milhões do Banco Master para a empresa da nora do senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado. Há suspeitas de que o senador tenha atuado em favor do banco.

A Polícia Federal (PF) prossegue com novas diligências da Operação Compliance Zero, intensificando a apuração da conexão entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o Banco Master. O foco da investigação recai sobre os repasses financeiros destinados à empresa de Bonnie Bonilha, nora do parlamentar, que ocupa a posição de líder do governo Lula no Senado.
A empresa de Bonnie Bonilha recebeu aproximadamente R$ 11 milhões do Banco Master, montante oriundo de um contrato de consultoria. A PF sinaliza que parte desses valores foi transferida por meio de empresas intermediárias, que também estão na mira da operação. Além dos repasses, os investigadores analisam outros possíveis benefícios, como a utilização frequente de aeronaves do ex-banqueiro Daniel Vorcaro pelo senador e o recebimento de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões em Salvador.
O pedido da PF para a operação aponta que Jaques Wagner teria intervido em favor do Banco Master. O senador é investigado por articular junto ao governo federal para viabilizar a aquisição da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB). Paralelamente, os investigadores afirmam que o parlamentar defendeu a aprovação da chamada “emenda Master” no Congresso, proposta pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI). Tal emenda visava ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos para aplicações em CDBs, passando de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, medida que, segundo a apuração, beneficiaria diretamente o modelo de negócios do Master.
A relação entre Wagner e o banco, conforme relatado pela PF, teve início durante a gestão do senador como governador da Bahia. A privatização da Cesta do Povo na época resultou na criação do Credcesta, cartão de crédito consignado que se tornou um dos pilares dos negócios da instituição financeira.
O que está em jogo: As investigações da PF buscam esclarecer a natureza da relação entre o senador Jaques Wagner e o Banco Master, avaliando se houve tráfico de influência ou outros ilícitos, o que pode ter implicações significativas para a carreira política do parlamentar e para a imagem do governo federal.
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