Dez candidatos disputam duas cadeiras ao Senado por Mato Grosso do Sul, com mandatos de oito anos com início previsto para fevereiro de 2027.

A corrida pelas duas cadeiras do Senado Federal por Mato Grosso do Sul reúne um total de dez concorrentes formalmente registrados, todos postulando mandatos de oito anos que terão início oficial em fevereiro de 2027. O pleito majoritário deste ano ocorre em turno único, sistema no qual cada eleitor do estado terá o direito de assinalar dois votos nominais distintos na urna. Os dois nomes com maior número absoluto de sufrágios válidos garantirão seus assentos no plenário em Brasília, sem a possibilidade de repescagem ou disputa suplementar.
O cenário estadual é marcado pelo embate direto de figuras de peso da política local e por coligações expressivas. De um lado, a chapa “Fazendo o Futuro Acontecer” traz dois nomes do Partido Liberal (PL): o ex-governador Reinaldo Azambuja, que governou o estado entre 2015 e 2022 e declarou um patrimônio de R$ 55.976.398,48, e o ex-deputado estadual Capitão Contar, finalista na eleição governamental de 2022, que informou R$ 1.660.693,63 em bens. Na chapa oposta, sob a aliança “Por um MS do Povo”, a senadora Soraya Thronicke (PSB), eleita em 2018 e agora buscando a reeleição com R$ 612.959,24 em bens declarados, concorre ao lado do deputado federal Vander Loubet (PT), parlamentar na Câmara desde 2003 e detentor de um patrimônio informado de R$ 4.122.759,55.
Disparidade patrimonial e alianças estaduais
A análise das declarações patrimoniais dos dez postulantes expõe uma disparidade financeira acentuada no processo eleitoral. O montante de quase R$ 56 milhões declarado por Reinaldo Azambuja representa mais de três vezes a soma de todos os outros nove concorrentes somados. O segundo maior patrimônio pertence ao empresário Valter da Comagran (PRD), com R$ 16,35 milhões, enquanto outros nomes apresentam valores bem mais modestos: Beto do Movimento (Psol) informou R$ 945 mil; Roberto Oshiro (Novo), R$ 497.691,02; Luiz Lemes (DC), R$ 352,8 mil; e Valderi Garcia (PCO), R$ 176 mil. O corretor Daniel Junior (Agir) declarou não possuir bens tributáveis à Justiça Eleitoral.
A composição das suplências também reflete composições estratégicas para atrair bases eleitorais no interior e na capital sul-mato-grossense. Azambuja registrou como primeiro suplente o senador Nelsinho Trad (PSD) e, como segundo, Felipe Mattos (União Brasil), enquanto Contar conta com Cláudio Mendonça (PP) e Luciano Barbosa Rodrigues (PP). Do lado governista federal, Soraya traz o petista Bruno Migueis como primeiro suplente e Geana Mesquita (PSB) na segunda vaga, ao passo que Vander Loubet indicou uma dobradinha própria de seu partido com as professoras Maria Diogo e Maju.
Próximos passos e indefinições
Além da polarização entre as grandes federações e partidos tradicionais, permanecem pontas soltas sobre como a fragmentação de votos entre candidatos do mesmo espectro ideológico afetará o quociente eleitoral nas regiões mais densas do estado. Ainda não se sabe, por exemplo, qual será o impacto real das candidaturas independentes — como as de Roberto Oshiro e Valter da Comagran — sobre as bases liberais e do agronegócio, historicamente determinantes na formação das bancadas sul-mato-grossenses no Congresso Nacional.
O que está em jogo: A definição dos dois novos senadores de Mato Grosso do Sul determinará o alinhamento da bancada do estado frente a pautas econômicas e de costumes em Brasília a partir de fevereiro de 2027. O resultado prático consolidará a força do agronegócio com a possível vitória de nomes como Reinaldo Azambuja ou Capitão Contar, ou fortalecerá a base aliada ao Palácio do Planalto caso Soraya Thronicke ou Vander Loubet sejam reconduzidos; caberá ao Tribunal Superior Eleitoral validar a totalização das urnas logo após o encerramento da votação.
Com informacoes de revistaoeste.com.