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Brasil e mais 76 países boicotam Netanyahu na ONU

Delegação brasileira e outros 76 países deixam plenário da ONU em discurso de Benjamin Netanyahu, que rebateu acusações e defendeu soberania de Israel.

Por Redação Ponto FixoPublicado 24/09/2026 às 17h02· 4 min de leitura
Brasil e mais 76 países boicotam Netanyahu na ONU
Foto: Reprodução

A diplomacia internacional assistiu a mais um episódio de forte polarização política na sede das Nações Unidas, em Nova York. Na quinta-feira, 24 de setembro de 2026, a delegação do Brasil juntou-se a representantes de outros 76 países em uma debandada em massa do plenário da Assembleia-Geral no momento exato em que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, subiu à tribuna. O esvaziamento das cadeiras — que representou a saída de mais de um terço dos 193 Estados-membros da organização — repetiu o boicote articulado no ano anterior e gerou protestos sonoros no salão principal, obrigando o presidente da sessão, o ministro Khalilur Rahman de Bangladesh, a intervir para conter as vaias e restabelecer a ordem.

Impassível diante das cadeiras desocupadas, Netanyahu reagiu de forma contundente ao protesto diplomático. O líder israelense declarou aos que permaneciam: “Se houver algum outro covarde moral que ainda não tenha deixado este plenário, por favor, saia agora”. Em sua fala, Netanyahu reforçou a determinação de Israel em garantir sua segurança territorial contra o terrorismo e proteger suas fronteiras, sintetizando a postura do país com a afirmação de que “vamos vencer porque não temos outra escolha”. O premiê também condenou ações de justiceiros na Cisjordânia, defendendo que Israel é “um país de leis”, enquanto criticou a cobertura tendenciosa da imprensa e acusou o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, de conduta tirânica por apoiar o Hamas e manter ocupações ilegais.

Tensões diplomáticas e polarização em Nova York

O gesto da diplomacia brasileira reflete o alinhamento ideológico adotado pelo Palácio do Planalto nos últimos anos. A retirada ocorre apenas dois dias após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizar a tribuna da ONU para atacar nominalmente Netanyahu, acusando as operações militares israelenses na Faixa de Gaza de constituírem “genocídio contra mulheres e crianças”. O governo israelense refuta veementemente a acusação, frisando seu direito soberano à legítima defesa frente aos ataques terroristas perpetrados pelo Hamas a partir de 7 de outubro. Enquanto diplomatas brasileiros abandonavam a fala de Israel, o chanceler Mauro Vieira e o secretário-geral da ONU, António Guterres — declarado persona non grata por Israel em 2024 —, participavam de um evento paralelo em suporte à agência de refugiados palestinos (UNRWA), patrocinado por Brasil, Espanha e Jordânia.

O ambiente hostil enfrentado pelo premiê estendeu-se para além dos muros do plenário. Mahmoud Abbas, líder da Autoridade Palestina, realizou seu discurso por videoconferência após Washington negar vistos à sua comitiva por descumprimento de compromissos de reforma. Simultaneamente, manifestações tomaram as ruas de Nova York, município que abriga quase 1 milhão de judeus — a maior comunidade judaica fora de Israel. A visita também ocorreu sob a sombra de um mandado de prisão emitido em 2024 pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), cuja autoridade jurídica não é reconhecida nem pelos Estados Unidos nem por Israel, o que esvaziou as ameaças políticas de detenção ventiladas inicialmente pela prefeitura local.

Impactos diplomáticos e desdobramentos futuros

O embate entre a soberania nacional de Israel e os blocos de pressão multilateral expõe uma divisão persistente sobre a legitimidade das instituições internacionais. De um lado, nações que promovem ações de isolamento diplomático perdem a oportunidade de estabelecer diálogos diretos e mediar soluções equilibradas na região; de outro, Israel mantém sua postura de defesa irredutível contra organizações armadas, priorizando a segurança de seus cidadãos. Permanece em aberto como a continuidade dessas posturas unilaterais influenciará as relações bilaterais de comércio e cooperação tecnológica entre o Brasil e o Estado israelense a médio prazo, bem como se os Estados Unidos manterão sua política restritiva de vistos a lideranças palestinas nas próximas reuniões da ONU.

O que está em jogo: A postura adotada pela missão brasileira na ONU aprofunda o distanciamento diplomático entre Brasília e Jerusalém, afastando o Brasil do papel de mediador neutro em fóruns internacionais. A curto prazo, cabe observar como o Itamaraty conduzirá os acordos bilaterais em andamento com Israel e se haverá novas retaliações diplomáticas após as declarações de Lula e a debandada das 77 delegações na Assembleia-Geral.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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