Ministro André Mendonça pediu vista em ação que apura suposto abuso de poder econômico na reeleição do governador de Alagoas, Paulo Dantas.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu a análise do processo que pode culminar na cassação do mandato do governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB), e de seu vice, Ronaldo Lessa (PDT). A interrupção ocorreu após o ministro André Mendonça, vice-presidente da Corte Eleitoral, solicitar pedido de vista nesta terça-feira, 25, para aprofundar a análise jurídica sobre os autos que envolvem o pleito de 2022.
A controvérsia jurídica gira em torno de um recurso protocolado pela Coligação Alagoas Merece Mais, que contesta a legitimidade do resultado eleitoral. Os autores da ação denunciam que o governo estadual realizou transferências e repasses financeiros vultosos para municípios alagoanos no trimestre que antecedeu a votação, o que teria configurado favorecimento indevido da chapa governista por meio do uso da máquina pública e abuso de poder político e econômico.
Antes da paralisação dos trabalhos para análise cautelar de Mendonça, o relator do processo, ministro Floriano de Azevedo Marques, manifestou voto contrário à cassação e à inelegibilidade dos políticos. Na avaliação de Marques, as verbas transferidas decorreram de emendas parlamentares individuais impositivas, categoria que, segundo seu entendimento, não estaria sujeita à vedação de transferências voluntárias imposta pela legislação eleitoral no período prévio ao sufrágio.
O ministro relator sustentou ainda que a acusação não reuniu provas cabais de que as liberações orçamentárias foram utilizadas como barganha por apoio político direto. Com o pedido de vista, o regimento interno do TSE concede um intervalo de até 30 dias para que Mendonça devolva a matéria ao plenário, momento no qual os outros ministros do colegiado deverão expor seus votos definitivos.
O que esta em jogo: A deliberação do TSE transcende o cenário regional de Alagoas ao fixar balizas sobre os limites éticos do uso de recursos orçamentários em anos eleitorais. Em um país que busca resguardar a paridade de armas e a lisura das disputas democráticas, a separação clara entre a atividade administrativa legítima e o aparelhamento estatal para fins de reeleição é essencial para preservar a soberania do voto popular e a responsabilidade com o erário.
Com informacoes de revistaoeste.com.