A Polícia Federal apura se a Casas Bahia manipulou dados de vendas e juros de carnês para reduzir o pagamento de premiações a gerentes de lojas durante sua reestruturação financeira.

A Polícia Federal (PF) abriu uma investigação para apurar suspeitas de manipulação em dados de faturamento e metas dentro da rede Casas Bahia. O foco das apurações recai sobre a possibilidade de a gigante do varejo ter alterado relatórios internos de vendas com o objetivo deliberado de reduzir os valores pagos a título de bônus e premiações a gerentes de suas filiais espalhadas pelo país. A apuração surge em um momento delicado para a companhia, que enfrenta um processo de recuperação judicial sob o peso de R$ 17,3 bilhões em dívidas acumuladas.
Segundo a investigação, a suspeita central é de que os sistemas de controle da empresa, incluindo as ferramentas PRWEB e Looqbox, tenham desconsiderado os juros embutidos nas operações de vendas parceladas. Ao registrar unicamente o valor à vista das mercadorias vendidas, os relatórios teriam encolhido artificialmente o faturamento bruto das unidades físicas, rebaixando a métrica utilizada para calcular a remuneração variável de seus colaboradores. A denúncia partiu de relatos dos próprios gerentes, que alegam terem recebido repasses inferiores aos devidos com a justificativa corporativa de que as taxas dos carnês pertenciam a instituições financeiras parceiras.
No entanto, a linha de investigação ganhou força após a PF analisar ofícios encaminhados pelo Banco Central e pelo Bradesco. Os documentos oficiais apontam que a própria Casas Bahia detinha a responsabilidade direta sobre as operações de crédito via crediário próprio por carnê, desmentindo a versão de que tais receitas caberiam integralmente a terceiros bancários. Diante dessas evidências documentais, os agentes federais trabalham para verificar se o procedimento se repetiu sistematicamente em lojas de diversas regiões brasileiras, o que pode configurar crimes como fraude e falsificação de informações corporativas.
Em sua defesa formal, a Casas Bahia declarou que não recebeu nenhuma notificação oficial a respeito do inquérito conduzido pelas autoridades policiais. A varejista reiterou publicamente que atua em estrita conformidade com a legislação vigente e que mantém rígidos padrões de governança corporativa, destacando estar à disposição para prestar todos os esclarecimentos devidos caso venha a ser formalmente acionada pelos órgãos de controle.
O desenrolar dessas suspeitas acontece paralelamente a uma severa reestruturação operacional que já prevê o encerramento de 298 lojas em todo o território nacional e corte expressivo de pessoal. Embora a Justiça de São Paulo tenha concedido proteção temporária contra a execução de credores, o plano de reorganização enfrenta obstáculos jurídicos, incluindo uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região que suspendeu demissões coletivas realizadas pela rede.
O que esta em jogo: A investigação da Polícia Federal adiciona um componente de risco reputacional e de governança corporativa em um setor varejista nacional já fortemente pressionado por juros elevados, inadimplência e contração de crédito. Para o mercado e os agentes econômicos, a integridade nas relações de trabalho e a transparência nas métricas contábeis são pilares indispensáveis para a segurança jurídica e a atração de investimentos. O desfecho do caso será determinante para testar a robustez dos mecanismos de compliance em companhias que buscam se reerguer financeiramente sem comprometer a confiança de colaboradores e credores.
Com informacoes de revistaoeste.com.