Coordenação de campanha reúne seis dos sete prefeitos do Grande ABC para consolidar virada eleitoral sobre o PT em reduto histórico.

A corrida pelo Palácio dos Bandeirantes ganha contornos decisivos no cinturão metropolitano paulista. Em uma articulação estratégica voltada a consolidar uma eventual vitória já no primeiro turno das eleições, a campanha à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) intensificou as movimentações no Grande ABC Paulista. Em encontro articulado pelo coordenador de campanha na Região Metropolitana, Diogo Soares, seis dos sete chefes de Executivo da região selaram apoio a ações coordenadas para expandir o eleitorado do atual governador em redutos que, historicamente, foram a base de sustentação da esquerda.
O encontro, sediado em São Caetano do Sul pelo prefeito Tite Campanella — único correligionário de Tarcísio à frente de uma prefeitura na região —, demonstrou uma frente suprapartidária robusta. Marcaram presença os prefeitos Marcelo Lima (Podemos), de São Bernardo do Campo; Gilvan Ferreira (Cidadania), de Santo André; Taka Yamauchi (MDB), de Diadema; Guto Volpi (PL), de Ribeirão Pires; e Akira Auriani (PSB), de Rio Grande da Serra. O único mandatário ausente foi Marcelo Oliveira, de Mauá, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), legenda que sustenta a candidatura do ex-ministro Fernando Haddad ao governo estadual.
A ofensiva sobre o Grande ABC tem forte peso estatístico e simbólico. Juntos, os sete municípios concentram cerca de 2,8 milhões de habitantes — contingente populacional superior ao de seis Estados inteiros da federação, superando Roraima, Amapá, Acre, Tocantins, Rondônia e Sergipe. Com Tarcísio superando a marca de 40% das intenções de voto nos levantamentos mais recentes, o avanço sobre essa densidade eleitoral é visto como a alavanca necessária para alcançar a maioria absoluta dos votos válidos e evitar a realização de uma segunda rodada de votação.
A avaliação interna da coordenação política aponta para a consolidação de uma mudança de ventos no outrora inabalável berço do sindicalismo e do petismo. Em 2022, Haddad superou Tarcísio em São Bernardo do Campo no segundo turno por 54% a 46%, enquanto o governador venceu em Santo André por uma margem estreita de 52% a 48%. Contudo, analistas e lideranças locais destacam o desgaste contínuo da esquerda na região: em São Bernardo, por exemplo, o PT não comanda o Executivo municipal desde 2012 e conta com apenas quatro vereadores. Segundo Tite Campanella, as projeções atuais indicam ampla liderança governista em São Caetano do Sul (em torno de 70% a 30%) e a possibilidade real de uma vitória sem precedentes em São Bernardo do Campo, além da manutenção da vantagem em Santo André.
Entre as iniciativas práticas alinhadas pelos gestores municipais está a realização de atos públicos conjuntos, incluindo uma grande mobilização projetada para ocorrer na Praça da Moça, ponto central de Diadema. A estratégia visa contrapor a influência remanescente de adversários em centros como Diadema e Mauá, demonstrando força política local e capilaridade institucional em prol de um modelo focado em eficiência administrativa, atração de investimentos e modernização da infraestrutura pública paulista.
O que esta em jogo: A disputa pelo Grande ABC transcende o mero cálculo aritmético de votos e simboliza a consolidação da nova matriz política de São Paulo. Berço histórico dos movimentos sindicais e do próprio PT, a região metropolitana vem gradativamente migrando em direção a propostas voltadas à liberdade econômica, valorização do setor produtivo e responsabilidade fiscal. Se confirmada a expansão de Tarcísio de Freitas em cidades como São Bernardo do Campo e Santo André, o resultado representará a perda definitiva do mais representativo bastião da esquerda paulista, sacramentando a preferência do eleitorado por uma gestão pautada na entrega técnica, segurança jurídica e eficiência administrativa.
Com informacoes de revistaoeste.com.