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EUA bloqueiam R$ 150 milhões de brasileiros em ofensiva contra o PCC e lavagem de dinheiro no futebol

Os Estados Unidos intensificam a pressão contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), bloqueando bens de brasileiros e empresas por supostas ligações com uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro, incluindo ramificações no futebol brasileiro.

Por Redação Ponto FixoPublicado 01/07/2026 às 15h02· 3 min de leitura
EUA bloqueiam R$ 150 milhões de brasileiros em ofensiva contra o PCC e lavagem de dinheiro no futebol
Foto: Reprodução automática pausada

Em uma ação sem precedentes desde a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organização terrorista, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos bloqueou bens de dois cidadãos brasileiros, três empresas brasileiras e uma portuguesa. A medida mira uma complexa rede de lavagem de dinheiro que, segundo as investigações, teria movimentado mais de US$ 30 milhões (aproximadamente R$ 150 milhões na cotação atual) e possui ramificações que atingem até mesmo o cenário do futebol brasileiro.

As sanções norte-americanas incidem sobre Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, além das empresas Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda, Wave Construções Inteligentes Ltda e a portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda. A decisão proíbe qualquer transação de cidadãos e empresas dos EUA com os alvos, além de determinar o bloqueio de ativos sob jurisdição norte-americana e prever sanções secundárias para instituições financeiras estrangeiras que operem com os envolvidos.

A investigação, conduzida pelo FBI, Departamento de Justiça dos EUA e uma força-tarefa do Departamento de Segurança Interna, aponta Victor Shimada como um elo crucial entre o PCC na Flórida e traficantes internacionais. Ele é acusado de lavar dinheiro através de criptomoedas enviadas ao Brasil. Curiosamente, a Victory Trading, da qual Shimada é sócio, também está sob inquérito no Brasil por um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo um contrato de patrocínio do Corinthians com a Vai de Bet, embora o comunicado dos EUA não cite o clube diretamente, referindo-se a um “clube de futebol brasileiro” e “esquema fraudulento de patrocínio”.

O inquérito da Polícia Federal, conforme revelado, indica que a Victory Trading transferiu R$ 200 mil para a UJ Football Talent Intermediação, com o valor supostamente chegando à Neoway Soluções, possivelmente registrada em nome de um “laranja”. Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, por sua vez, é descrita como colaboradora e secretária de Shimada, encarregada da logística de recolhimento de dinheiro em espécie, evidenciando o caráter organizado e multifacetado do esquema.

Esta ação reforça a postura enérgica dos EUA contra o crime organizado transnacional. Em 5 de junho, os Estados Unidos incluíram o PCC e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras, uma medida assinada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. O bloqueio de bens agora concretiza a primeira aplicação prática desta classificação, mostrando a determinação americana em combater financeiramente estas organizações, cujas atividades se estendem por fronteiras e setores diversos.

O que está em jogo: A medida americana contra a rede de lavagem de dinheiro do PCC, com ramificações no Brasil e na Europa, demonstra a crescente pressão internacional sobre o crime organizado e os mecanismos financeiros que o sustentam, podendo desencadear novas investigações e impactos significativos no cenário econômico e criminal global.

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