Durante debate eleitoral, candidatos criticam gastos e qualidade da telemedicina no Piauí, apontando erros em laudos sob investigação e histórico de operações federais.

A gestão da saúde pública no Piauí tornou-se o centro de intensos confrontos políticos durante a corrida eleitoral ao governo estadual. Em debate realizado pela TV Meio Norte, a candidata Dra. Lúcia Santos (PSDB) denunciou que a administração liderada pelo governador Rafael Fonteles (PT) estaria recorrendo a ferramentas de inteligência artificial para emitir laudos médicos no sistema estadual de telemedicina, sem a devida revisão ou presença de profissionais humanos para atestar os diagnósticos.
A candidata fundamentou sua acusação relatando falhas anatômicas graves em exames clínicos emitidos pela rede pública. Segundo a postulante tucana, foram identificadas inconsistências evidentes nos documentos fornecidos aos pacientes: “Nós pegamos laudos dando ovário para homens, próstata para mulher, ou seja, ali fica claro que não tem nem gente dando laudo do outro lado, e com certeza é um IA”, afirmou ela, ressaltando ainda que as irregularidades reportadas já estão sob apuração formal por parte do Ministério Público do Piauí.
Além das suspeitas sobre a acurácia dos exames, o volume expressivo de recursos públicos direcionados à chamada saúde digital foi duramente criticado. A própria Dra. Lúcia Santos sustentou que “o dinheiro está saindo muito para essa saúde digital” e exigiu a interrupção dessa destinação orçamentária. Na mesma esteira, o candidato Elizeu Aguiar (Novo) prometeu a extinção definitiva do modelo atual de telemedicina caso seja eleito, detalhando que o programa drena cerca de R$ 15 milhões mensais, correspondendo a R$ 180 milhões por ano e totalizando quase R$ 800 milhões no ciclo de quatro anos da administração.
As contestações sobre os gastos na área ocorrem em um ambiente já tensionado por intervenções das autoridades de controle federal. A Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) foi alvo da Operação Omni, deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas do Piauí (TCE-PI). A ação investiga indícios de direcionamento em contratações, superfaturamento, lavagem de dinheiro e conflito de interesses na escolha de uma organização social encarregada de gerir hospitais da rede estadual, processo que culminou no bloqueio judicial de cerca de R$ 66 milhões e no afastamento de servidores públicos.
O que esta em jogo: A controvérsia em torno da saúde digital no Piauí expõe um dilema crucial entre a modernização tecnológica dos serviços públicos e a estrita responsabilidade no uso do dinheiro do pagador de impostos. Enquanto ferramentas automatizadas são apresentadas como soluções de agilidade, a ausência de rigor técnico coloca em risco vidas humanas e a eficiência administrativa, exigindo fiscalização contínua das instituições de controle contra o desperdício orçamentário e a má gestão governamental.
Com informacoes de revistaoeste.com.