Operação da PF mira o parlamentar fluminense em desdobramento de investigações sobre fraudes eleitorais e crimes na Baixada Fluminense.

A Polícia Federal deflagrou uma nova fase investigativa que coloca sob escrutínio práticas de corrupção eleitoral no Estado do Rio de Janeiro. A ação mira diretamente o deputado federal Ricardo Abrão (PSDB-RJ), que busca a reeleição. Os agentes federais cumprem mandados de busca e apreensão domiciliar e pessoal contra o parlamentar, além de terem obtido autorização judicial para a quebra de sigilo e extração de dados de equipamentos eletrônicos recolhidos.
A ofensiva é fruto de desdobramentos de apurações iniciadas ainda em outubro de 2024, quando 24 indivíduos foram presos em flagrante. Esse trabalho de inteligência policial culminou posteriormente na deflagração da Operação Astreia, ocorrida em fevereiro de 2025. Naquela ocasião, as autoridades identificaram a atuação de um grupo suspeito de operar esquemas complexos de compra de votos no município de Nilópolis, além de fraudes no preenchimento de cotas de gênero, lavagem de capitais e desvio de recursos do financiamento público eleitoral.
O ambiente político em Nilópolis já havia sido foco de diligências anteriores da PF. Em outubro de 2024, o prefeito do município, Abraão David Neto, conhecido como Abraãozinho (PL) e primo de Ricardo Abrão, figurou entre os alvos de medidas cautelares. Naquele momento, foram apreendidos uma pistola, um veículo com propaganda política e mais de R$ 63 mil em dinheiro vivo em um imóvel vinculado ao mandatário, que refutou as acusações e acabou reeleito com mais de 56% dos votos válidos. A corporação destacou então a existência de candidaturas laranjas e a articulação de uma rede de influência envolvendo agentes públicos.
Ricardo Abrão chegou à Câmara dos Deputados em abril do ano passado, assumindo a vaga aberta após a perda de mandato de Chiquinho Brazão — condenado em fevereiro deste ano como um dos mandantes dos homicídios da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorridos em 2018. Com histórico de dois mandatos como deputado estadual e passagem pelo comando da Secretaria de Ação Comunitária do Rio de Janeiro, Abrão conta nesta campanha com R$ 480 mil em repasses do Diretório Nacional do PSDB para sua tentativa de renovação parlamentar.
O que esta em jogo: A atuação firme das forças de segurança contra a compra de votos e o desvio de recursos eleitorais reforça a necessidade de preservação da lisura democrática e da soberania do voto popular. Em um cenário onde a confiança nas instituições e a responsabilidade com o dinheiro público são indispensáveis, a responsabilização de esquemas ilícitos assegura que o poder político emane exclusivamente da escolha livre e consciente dos cidadãos, enfraquecendo antigas redes de clientelismo que distorcem o processo eleitoral.
Com informacoes de revistaoeste.com.