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Escavada na rocha há milênios, cidade histórica de Matera preserva igrejas rupestres e engenharia milenar na Itália

Complexo dos Sassi de Matera reúne habitações esculpidas em cânion calcário, sistema histórico de captação de água e mais de cem templos com arte sacra bizantina.

Por Redação Ponto FixoPublicado 03/09/2026 às 06h02· 3 min de leitura
Escavada na rocha há milênios, cidade histórica de Matera preserva igrejas rupestres e engenharia milenar na Itália
Foto: Reprodução

Encravado nas escarpas de um imponente cânion calcário na região da Basilicata, no sul da Itália, o complexo histórico dos Sassi de Matera consolidou-se entre pesquisadores e arqueólogos como um dos mais impressionantes testemunhos de ocupação humana contínua da história ocidental. Remontando inicialmente ao período Paleolítico, quando grupos nômades utilizavam as cavidades naturais apenas como refúgio temporário diante do rigor climático, a localidade foi sendo pacientemente lapidada e expandida ao longo dos séculos até florescer como uma verdadeira metrópole talhada na pedra, refletindo a notável tenacidade humana em construir lares e comunidades sólidas em terrenos desafiadores.

A morfologia peculiar do assentamento desafiou as noções tradicionais de arquitetura e planejamento urbano ao longo das eras. Em uma estrutura verticalizada orgânica, o teto de uma residência subterrânea frequentemente servia de base, rua ou praça para as habitações situadas no nível imediatamente superior. Para além do engenho das moradias e estábulos, as paredes espessas de calcário ofereciam isolamento térmico natural, garantindo ambientes frescos no calor e aquecidos nas estações frias, enquanto o material retirado das escavações era reaproveitado para moldar as fachadas. Em meio a esse ambiente, a organização comunitária floresceu em torno dos chamados ‘vicinati’, pátios compartilhados que estreitavam os laços de vizinhança e cooperação mútua entre as famílias locais.

Um dos elementos mais marcantes preservados pela história de Matera é a sua vasta herança cristã e sacra, materializada em mais de cem igrejas rupestres esculpidas no coração das rochas. Esses templos subterrâneos abrigam afrescos bizantinos que foram salvaguardados das variações do tempo graças à estabilidade térmica das cavernas, evidenciando a profunda centralidade da fé e da vida litúrgica na formação social da comunidade ao longo de sucessivas gerações de fiéis.

A subsistência em um terreno árido e de baixa pluviosidade também demandou uma admirável inteligência prática e de engenharia hídrica. Os habitantes desenvolveram um engenhoso sistema integrado de calhas esculpidas diretamente na superfície para captar cada gota de água pluvial. Esse recurso descia por tanques de decantação encarregados de filtrar as impurezas até atingir grandes cisternas em formato de sino escavadas sob as casas, funcionando pelo princípio de vasos comunicantes que garantia a purificação e o abastecimento contínuo de água limpa para uso doméstico e comunitário nos meses de seca severa.

O modelo tradicional, no entanto, enfrentou forte crise sanitária no século XX em razão da superlotação urbana, o que levou o governo italiano a transferir compulsoriamente a população para bairros novos na década de 1950. A partir dos anos 1980, extensos projetos de restauro e preservação patrimonial revitalizaram as antigas grutas, permitindo que o local renascesse economicamente por meio de empreendimentos culturais, galerias de arte e hotelaria histórica, gerando renda e atraindo a atenção de visitantes de todo o mundo.

O que está em jogo: A preservação e a recuperação de cidades históricas como Matera demonstram como tradição, engenho e iniciativa privada podem resgatar patrimônios milenares sem apagar suas raízes culturais e religiosas. O renascimento desses centros reafirma o valor da conservação da memória e do respeito às fundações históricas da civilização ocidental, mostrando que construções erguidas com fé e cooperação comunitária permanecem relevantes para além dos séculos.

Com informacoes de oantagonista.com.br.

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