Levantamentos socioeconômicos mostram que o Maranhão segue nas piores posições em IDH, analfabetismo e renda após os mandatos de Flávio Dino.

Ao tomar posse em seu primeiro mandato como governador do Estado do Maranhão, no dia 1º de janeiro de 2015, Flávio Dino apresentou um conjunto de metas voltadas a transformar os indicadores sociais e econômicos da região. Então filiado ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), o político declarou formalmente a intenção de erradicar o analfabetismo e reverter os índices de vulnerabilidade por meio de programas governamentais específicos, discursando à época diretamente do Palácio dos Leões.
Entre as iniciativas centrais apresentadas na ocasião estava o plano Mais IDH, desenhado para atuar sobre os trinta municípios maranhenses com os menores índices de desenvolvimento. No discurso oficial de abertura da gestão, Dino afirmou: “Por intermédio desse plano, vamos adotar ações nas 30 cidades que têm o pior IDH do Maranhão. O que nós queremos é que, ao fim do governo, não tenha nenhuma cidade maranhense no rol das cem piores do Brasil.” No entanto, os números consolidados mostram um cenário distante dos compromissos estabelecidos.
O político encerrou sua passagem pelo Executivo maranhense em 2 de abril de 2022. De acordo com os dados do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 2024, o Maranhão figura na última colocação entre as 27 unidades federativas do país, somando uma pontuação de 0,745, enquanto o Distrito Federal registrou o maior índice nacional, atingindo 0,866. O resultado evidencia a persistência das fragilidades estruturais no estado após dois mandatos consecutivos sob a mesma diretriz política.
Os déficits também permanecem no setor educacional e na atividade econômica. O combate ao analfabetismo, outra promessa de campanha, não alcançou a erradicação prevista: o estado mantém uma taxa de analfabetismo de 10,9%, sendo a quinta maior do Brasil, superada apenas por Ceará, Paraíba, Alagoas e Piauí. Paralelamente, no campo da geração de renda e incentivo produtivo, registros do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que oito das dez cidades brasileiras com o menor Produto Interno Bruto (PIB) per capita do país estão localizadas em território maranhense.
Mesmo após a renúncia ao cargo em 2022 para disputar e vencer a eleição ao Senado — trajetória que posteriormente o levou ao posto de ministro do Supremo Tribunal Federal —, a influência política de Dino sobre os rumos do Maranhão permanece em evidência. Suas articulações ainda repercutem nos bastidores do Palácio dos Leões, incidindo em disputas que envolvem seu sucessor estadual e indicações estratégicas no Tribunal de Contas do Estado.
O que esta em jogo: A análise dos resultados de gestões públicas prolongadas é um elemento essencial para aferir a eficácia de projetos políticos baseados na expansão do controle estatal sobre o desenvolvimento social. O descompasso entre as metas anunciadas e os índices econômicos reais demonstra a relevância de reformas estruturais focadas na liberdade econômica, no empreendedorismo e na eficiência administrativa, fatores determinantes para a superação definitiva da pobreza e para o fortalecimento das instituições republicanas.
Com informacoes de revistaoeste.com.